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Exposição no Sesc Belenzinho tem como tema livros infantojuvenis

Exposição no Sesc Belenzinho tem como tema livros infantojuvenis

Atualizado: Sábado, 25 Junho de 2011 as 11:26

A premiada ilustradora tcheca Kveta Pacovská, famosa por suas experimentações plásticas, disse certa vez que "as imagens de um livro infantil são as primeiras galerias que as crianças visitam".

A partir de 13 de julho, alguns desses livros-galeria estarão na exposição "Linhas da História - Um Panorama do Livro Ilustrado no Brasil", no Sesc Belenzinho.

Reunindo 40 ilustradores e 54 publicações, a mostra coloca o fazer do artista numa vitrine --estão lá elementos que inspiraram as criações. Painéis enfatizam que um mesmo clássico literário é ressignificado a partir de técnicas diferentes. O livro-imagem (sem palavras) é apresentado de forma que dá ilusão de movimento.

O evento traz para o centro do debate do mercado editorial brasileiro as especificidades do livro ilustrado, termo recentemente cunhado.

Ele designa obras em que recursos gráficos e técnicos --abas e dobras inusitadas, formatos variados, uso de cores especiais e facas (que dão às páginas formatos diferentes)-- são muito explorados.

"O livro ilustrado é uma forma de expressão que está entre o livro tradicional com ilustrações e a história em quadrinhos", diz a crítica literária francesa Sophie van der Linden, autora de "Para Ler o Livro Ilustrado", que acaba de ser publicado no Brasil pela Cosac Naify.

A editora, com premiado catálogo de obras nacionais e estrangeiras para crianças, também lança "Livro Ilustrado: Palavras e Imagens", de Maria Nikolajeva e Carole Scott, que ampliam o entendimento sobre narrativas que vão e vêm entre a linguagem textual e a visual.

"O livro ilustrado não é necessariamente um livro para crianças, é um livro que não exclui a criança", afirma o autor-ilustrador Odilon Moraes, curador da mostra ao lado de Fernando Vilela, Katia Canton e Alcimar Mendes.

ESCREVER COM IMAGENS

As obras na mostra indicam que os livros ilustrados são criados por "um escritor que escreve em imagens e um artista que desenha com textos", diz Vilela, ilustrador.

Exemplo clássico dessa forma de expressão é "Flicts" (1969), livro do cartunista Ziraldo que rompe com a ideia de que a ilustração é puro adorno para a palavra.

"É nesse período em que muitos ilustradores passam a criar um trabalho mais autoral. Isso culmina com o crescimento do mercado, motivado pelas compras de livros pelo governo", diz Canton.

Depois do tal chamado "boom" da literatura infantil nos anos 1970, autores seguiram experimentando técnicas e materiais na década seguinte. No decorrer dos anos 1990, os livros para crianças e jovens ficam cada vez mais sofisticados graficamente.

Na exposição algumas obras que fizeram história nessas décadas ilustradas serão transformadas em instalações interativas.

Ali o visitante poderá sair em busca de sua cor (ou sentido?) no mundo, como ocorre em "Flicts", seguir (literalmente) as pegadas da obra "Ida e Volta", de Juarez Machado, ou penetrar nos muitos meandros (ou véus) da narrativa de "O Cântico dos Cânticos", de Angela-Lago.            

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