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Fã guarda telegramas de Alencar com gratidão por apoio na doença

Fã guarda telegramas de Alencar com gratidão por apoio na doença

Atualizado: Quarta-feira, 30 Março de 2011 as 12:42

Em uma pequena caixa branca, lacrada por uma fita rosa, a aposentada Maria Thereza Brandão, de 80 anos, guarda o seu maior tesouro: dois telegramas e três cartões que recebeu de presente do ex-vice-presidente José Alencar, para quem mandava cartas buscando entusiasmá-lo no combate ao câncer quando estava internado no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo.     Fã de Alencar, Maria Thereza começou a mandar as cartas ao ex-vice-presidente nos primeiros meses de 2009, quando Alencar voltou a combater a doença no intestino. Foram ao menos dez cartas que a carioca, que mora com os filhos no bairro de Pinheiros, em São Paulo, enviou a Alencar nos últimos dois anos. Ela levava pessoalmente ao hospital os envelopes, muitas vezes com presentes, como cobertores ou travesseiros que fazia.

“Eu tenho um carinho e uma admiração muito grande por ele. Sempre que ele se internava ou passava por tratamentos, eu ia até o hospital (Sírio Libanês) e deixava uma carta de entusiasmo. Ele me mandou resposta duas vezes e no dia do meu aniversário, 29 de julho no ano passado, mandou o motorista vim me entregar um presente, dois panos com anjos, que eu adoro”, diz Maria Thereza.

Além do presente de aniversário, a aposentada recebeu um vinho enviado no Natal em nome de Alencar e de Mariza, a mulher do ex-vice-presidente. Nas festas de fim de ano, recebeu uma xícara de porcelana. Com os presentes vieram cartões assinados e escritos à mão pelo próprio Alencar.

Apesar da adoração pelo ex-vice-presidente, a aposentada não o conhecia pessoalmente. Diz ter falado com ele pelo telefone no início de 2009, e também com mulher dele, Mariza. “Lembro que me ligaram, falando que era da presidência da República e que o Alencar queria falar comigo. Ele me disse: ‘Dona Maria, suas palavras são um conforto e entusiasmo para continuar lutando’”, lembra a fã, chorando em sua casa, onde concedeu entrevista ao G1 . “Não me conformo de não ter conhecido ele pessoalmente”, balbucia.   Maria Thereza também recebeu dois telegramas em que Alencar, datados de 11 de janeiro de 2011 e 25 de fevereiro de 2011. No segundo deles, Alencar diz: “ Mais uma vez, fico sensibilizado com a solidariedade manifestada por meio da sua carta do último dia 10 de fevereiro. Esteja segura de que essas demonstrações de apreço muito me ajudam a superar os momentos difíceis que venho atravessando. Deus lhe pague. Atenciosamente, José de Alencar ”.

A aposentada guarda com carinho o rascunho da última carta enviada ao ex-vice-presidente na segunda-feira (28), quando Alencar voltou a ser internado com dores e uma perfuração no abdômem e acabou morrendo. O texto começa assim: “ Mui prezado senhor José Alencar e dona Mariza. Espero que o senhor esteja melhor e mais forte. Todos os dias rezo pelo senhor e sua família ”.

No final da carta, após a assinatura, Maria Thereza disse: “ Só há um caminho para a felicidade, não nos preocupar com coisas que ultrapassam o poder da nossa vontade ”.

Problemas de saúde

A aposentada diz que sofreu com o drama de Alencar por conhecer bem a dificuldade de se curar de um problema de saúde. Seu filho, Ernani, de 54 anos, espera há três anos na fila do SUS por um transplante de fígado. Ele depende de tratamento médico em casa para continuar a viver.

“Não tenho dinheiro para fazer meu filho conseguir um transplante mais rápido e perdi meu cunhado há duas semanas. Também perdi outro filho há 12 anos, quando ele tinha 47 anos e teve um problema de estômago. Minha vida é de desgraças, mas confio em Deus e aprendi a superar”, diz Maria Thereza.

“Alencar, para mim, era um exemplo de quem luta para viver”, acrescentou ela.    

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