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Falhas em piscinões viram berçário para pernilongos, diz estudo da USP

Falhas em piscinões viram berçário para pernilongos, diz estudo da USP

Atualizado: Segunda-feira, 16 Agosto de 2010 as 8:19

Uma tese de mestrado da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo afirma que pequenas falhas na construção dos piscinões utilizados para combater enchentes em São Paulo provocam acúmulo de água suja, rica em material orgânico, que se transforma em ambiente ideal para a procriação de pernilongos. Na fase adulta, após 15 dias de vida, os insetos se deslocam por distância de até um quilômetro durante a noite para se alimentarem de sangue.

O assunto foi tema de um debate realizado na semana passada no Instituto de Engenharia de São Paulo. O professor Paulo Roberto Urbinati, mestre pelo Departamento de Saúde Ambiental e doutor pelo Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da USP, explicou aos técnicos de que forma essas falhas podem ser tratadas para evitar a proliferação dos pernilongos. "Muitos deles nem se davam conta de que poderia haver criadouros. Como há projeto para construção de 131 piscinões devemos apresentar medidas mitigatórias", afirmou.

Urbinatti foi orientador da dissertação produzida em 2008 pela hoje mestre em saúde pública Edna de Cássia Silvério. Ela coletou e catalogou com critério científico 8 mil pernilongos em dois piscinões da Zona Leste, o Inhumas e o Caguaçu, e acredita que o número poderia ser muito maior caso a coleta fosse livre.

"Como os piscinões acabam recebendo água altamente poluída e material orgânico, eles acabam sendo criadouro de mosquitos", disse Edna. "No trabalho chegamos a algumas conclusões: o concretado propicia maior desenvolvimento dessa espécie de mosquito, porque a água não escoa totalmente. Uma outra questão que nós levantamos é que quando se faz a manutenção se utilizam máquinas pesadas. A máquina danifica o piso de concreto e forma uma depressão. A larva fica parada naquele local. Por mais que tenha feito a limpeza desse piscinão, a maneira de fazer essa limpeza deve ser mais adequada", afirmou. Em piscinões não concretados, as marcas de máquinas e a vegetação abundante ajudam na proliferação. Urbinatti afirmou os pernilongos agem durante todo o ano, mas são mais percebidos pela população no verão. Como têm um sifão que permite às larvas permanecer na água suja e retirar oxigênio do ar, os pernilongos se reproduzem sem ameaça de predadores. Uma fêmea bota 200 ovos de cada vez e os inseticidas só aumentam a resistência do inseto.

O caminho, segundo Urbinatti, é diminuir a incidência do mosquito através do controle de esgoto e de situações como as que ocorrem nos piscinões e no Rio Pinheiros. "O pernilongo é a espécie mais frequente em São Paulo. É muito bem adaptada à area urbana, se desenvolve em águas com bastante teor de matéria orgânica em córregos e rios. O Rio Pinheiros é um dos maiores criadouros desse tipo de mosquito. À noite, elas saem em busca de sangue, seu único alimento, picam as pessoas e incomodam o sono." Segundo o professor, embora em outros estados o pernilongo seja transmissor de elefantíase, em São Paulo não há registro de que seja transmissor de doenças, a não ser reações alérgicas em caso de um número muito grande de picadas.

Inhumas

Apesar do tempo seco e de o piscinão Inhumas estar limpo, é possível encontrar poças de água na parte mais baixa do reservatório. Também é possível perceber que as valetas da drenagem do terreno acumulam água suja. O comerciante Fernando Oliveira, que trabalha na Rua Santana do Riacho, acima do piscinão, afirma que colocou telas de proteção em sua casa para evitar a presença dos insetos. "Mandei por tela na janela. Quando está calor o incômodo é maior", afirmou. De acordo com ele, o piscinão resolve rapidamente as enchentes e tem sido limpo com frequência, mas sempre fica um pouco de água. "O piscinão ajudou bastante o pessoal lá de baixo", afirma.

Também moradora do Jardim Nova Iorque, Simone Silva compara a presença de pernilongos em sua casa à que encontra no litoral durante o verão. "No calor incomoda um pouco. A gente usa repelente e tomadinha. É como se fosse no litoral", afirma.

Postado por: Thatiane de Souza

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