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Falsa psicóloga e marido se reservam a falar só em juízo, diz delegado

Falsa psicóloga e marido se reservam a falar só em juízo, diz delegado

Atualizado: Terça-feira, 24 Maio de 2011 as 11:37

A falsa psicóloga e o marido na Decon (Foto: Carolina Lauriano/G1)

  Chamados a depor novamente nesta terça-feira (24) na Delegacia do Consumidor (Decon), na Gávea, na Zona Sul do Rio, a falsa psicóloga e seu marido se reservaram a falar sobre o caso somente em juízo. Os dois, que passaram a noite na carceragem da 15ª DP (Gávea), vão seguir ainda nesta terça para unidades da Polinter.

Observados pelo delegado Maurício Luciano de Almeida e Silva, eles leram e assinaram documentos referentes aos inquéritos que estão na delegacia, sem trocar nenhuma palavra.

A falsa psicóloga se entregou no fim da noite de segunda-feira (23), na Decon. Ela chegou à delegacia acompanhada do advogado. Já o marido foi preso durante a tarde de segunda num dos apartamentos do casal, na Rua Dona Mariana, em Botafogo, também na Zona Sul. Segundo a polícia, no apartamento, os agentes cumpriram mandado de busca e apreensão, com o objetivo de colher provas da sua relação profissional com o consultório da mulher.

Prisão decretada

No mesmo dia, o casal teve a prisão preventiva decretada pelo juiz Alcides da Fonsaca, da 11ª Vara Criminal da Capital. O magistrado acolheu o pedido do Ministério Público do Rio, com fundamento na garantia da ordem pública.

A suspeita na hora que chegou à Decon (Foto: Carolina Lauriano/G1)

  A falsa psicóloga foi denunciada pelo MP pelos crimes de estelionato, propaganda enganosa e por falsificação de documentos. Já seu marido foi denunciado por estelionato e propaganda enganosa. Segundo relatos de testemunhas à polícia, a suspeita usava tratamentos agressivos para fazer com que as crianças autistas que travava se alimentassem.

Pedido de prisão havia sido negado

Na semana passada, a juíza Leila Santos Lopes, da 11ª Vara Criminal havia negado o pedido de prisão preventiva dos réus, alegando, entre outras razões, que "não há notícias nos autos de risco à integridade das vítimas ou seus responsáveis legais, tampouco as testemunhas".   Na mesma decisão, ela havia autorizado a quebra do sigilo bancário e fiscal, nos últimos 5 anos, e bloqueio dos bens da suspeita, de seu marido e da clínica onde eram atendidas as crianças. Além de ter deferido um pedido de busca e apreensão de bens, documentos e laudos que estejam armazenados no computador onde funcionava a clínica.

No dia 8 de maio, a falsa psicóloga foi solta pela segunda vez graças a um habeas corpus concedido no plantão judiciário. Ela responde a dois processos, sendo um por estelionato e outro por tortura, e foi presa pela primeira vez no dia 27 de abril, em flagrante, depois que o pai de uma criança prestou queixa contra ele na polícia. Três dias depois, também graças a um habeas corpus, ela foi posta em liberdade.

Marido prestou depoimento 

No dia 11, o marido da falsa psicóloga prestou depoimento   como testemunha na Decon. Segundo o delegado Maurício Luciano, ele negou qualquer envolvimento com a clínica onde a falsa psicóloga fazia os atendimentos e disse que ia ao local apenas para levar e buscar a mulher.

O suspeito relatou ainda, segundo o delegado, que desconhecia qualquer prática de tortura feita pela mulher.

Entenda o caso

A falsa psicóloga foi presa em flagrante no dia 27 de abril. De acordo com as investigações , ela não possui graduação em curso superior, nem especialização em psicologia.

Segundo a polícia, ela atuava há 12 anos e atualmente ‘tratava’ cerca de 60 pacientes. Imagens feitas no centro de tratamento mostram a suspeita conversando com uma delegada, pensando se tratar da mãe de um futuro paciente.

De acordo com a polícia, ela cobrava, em média, R$ 90 por hora. Na delegacia, segundo a polícia, a falsa psicóloga disse informalmente só ter cursado dois períodos da faculdade de psicologia.        

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