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Faltam remédios e exames para portadores de epilepsia no DF

Faltam remédios e exames para portadores de epilepsia no DF

Atualizado: Quinta-feira, 20 Outubro de 2011 as 9:55

Portadores de epilepsia que dependem do serviço público de saúde para fazer o tratamento no Distrito Federal afirmam que faltam remédios na rede pública. Pacientes também reclama que exames necessários para a cirurgia de correção, indicada para alguns casos da doença, não estão sendo realizados. De acordo com a Associação dos Epiléticos do DF, atualmente há cerca de 40 mil portadores da doença na capital federal.

O frasco do remédio utilizado pelos portadores de epilepsia – valproato de sódio – tem 50 comprimidos e custa cerca de R$ 50. A dona de casa Luciana de Freitas alega que precisa de quase dois frascos por mês e que o preço compromete o orçamento familiar, pois o marido está desempregado. Ela explicou que não consegue o remédio gratuitamente na rede pública de saúde.

“Já liguei para muitos hospitais públicos, para todos os números que a associação me passou. Sempre eles dizem que não tem o remédio e que não tem previsão para chegar”, disse Luciana.

Por meio de nota, a Secretaria de Saúde do DF informou que o medicamento volproato de sódio, de 250 miligramas, está com entrega prevista para esta sexta-feira (21), mas que o de 500 miligramas não tem previsão de entrega porque a compra, sem licitação, foi suspensa pelo Tribunal de Contas do DF.

O governo afirmou ainda que o exame que ajuda a detectar a epilepsia, e indica se o caso é cirúrgico ou não, é feito por meio do programa “Tratamento fora de domicílio”, com trajeto de ida e volta pago, mais ajuda de custo. Caso o resultado do exame indique necessidade de operação, o paciente tem a cirurgia marcada no Hospital de Base.

De acordo com a Secretaria de Saúde, a compra do aparelho para detectar a cirurgia de correção está em andamento.

No dia 21 de setembro, a Defensoria Pública enviou um ofício à Secretaria de Saúde para cobrar explicações sobre as falhas no tratamento. A cobrança também é feita pela Associação dos Portadores de Epilepsia do DF há pelo menos cinco anos.

A presidente da associação, Rosa Lucena, afirma que sem o exame as cirurgias não estão sendo feitas. “Já fazem cinco anos que não se faz a cirurgia para quem tem epilepsia no DF. A cirurgia traz para o paciente até 90% de cura, porque o paciente vai ficar internado, vai fazer o exame e os médicos vão saber se ele pode fazer a cirurgia ou não”, disse.

A epilepsia é uma doença cerebral crônica que provoca crises de convulsão nos pacientes. De acordo com o neurologista Hudson Mesquita, o vídeo-encefalograma detecta com mais precisão em que parte do cérebro está a doença.

“O exame é feito em tempo real. Você registra as ondas cerebrais, são vários eletrodos distribuídos, se for o caso em todo o cérebro e uma máquina fica filmando o paciente em tempo real”, explicou.

O neurologista afirmou que sem o tratamento adequado, as convulsões podem ser um risco à saúde das pessoas que tem epilepsia. “Eles podem ter quedas que podem ocorrer no súbito. Você não consegue determinar o local que o paciente vai ter a crise. Pode ser na escada, dentro d’água, dirigindo, atravessando a rua. Isso vai causar um risco ao paciente”, disse Mesquita.      

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