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Família de bebê que morreu de dengue no RJ quer processar hospital

Família de bebê que morreu de dengue no RJ quer processar hospital

Atualizado: Quarta-feira, 23 Março de 2011 as 2:23

A família da menina Maria Clara Silva Martins, de 1 ano e 9 meses, que morreu de dengue hemorrágica na segunda-feira (21), pretende entrar na Justiça contra o hospital Cemeru, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio. De acordo com a irmã mais velha da criança, Meire Lucimar Silva, de 28 anos, sua mãe, Maria das Graças Silva Martins, de 45, quer processar a unidade de saúde pelo descaso com a menina e pelo diagnóstico tardio.

Ainda de acordo com Meire, Maria Clara foi diagnosticada na sexta-feira (18) com dor de garganta e, posteriormente, no sábado à tarde, com dores abdominais. Somente no domingo foi detectada a dengue hemorrágica. “O Rio de Janeiro não está preparado para tratar pessoas com dengue hemorrágica”, afirmou a irmã mais velha.

Procurado pelo G1 nesta quarta-feira (23), a administração do hospital não retornou as ligações. Na terça-feira (22), o hospital afirmou que a criança não foi levada à clínica no sábado. Segundo a administradora Fabiana Guimarães, o primeiro e único diagnóstico antes da internação no domingo foi realizado na sexta-feira, onde, segundo ela, foi notificada inflamação na garganta.

Maria Clara foi enterrada na tarde de terça-feira, no Cemitério Jardim da Saudade, em Paciência. “Quando a minha filha estava morrendo, a doutora virou para mim e falou: mãe, mãezinha, dengue não tem como descobrir. Essas foram as palavras. Dengue é assim, é traiçoeira, ela mata”, disse a mãe de Clara, sem conseguir conter a emoção.     Demora com bolsa de sangue

Meire afirmou ainda que a menina chegou a receber gratuitamente uma bolsa de sangue na UTI para conter a hemorragia. A segunda bolsa de sangue e ainda uma terceira de plaquetas teriam que ser pagas. Segundo a irmã de Maria Clara, elas teriam demorado seis horas para serem aplicadas.

“O hospital pediu autorização para minha mãe às 15h de segunda. Cada uma custava R$ 400 e minha mãe disse que pagaria. Mas até as 21h, a Clara não tinha recebido nada. Eles alegaram que o sangue estava gelado”, afirmou Meire.

Ela disse que por volta das 21h30, os médicos pediram para que a família saísse do local. "Ficamos preocupados, mas como, anteriormente, eles haviam dito que ela estava melhor, estávamos confiantes”, continuou a irmã, afirmando que Maria Clara teve duas paradas cardíacas.     Notificações crescem em 2011

Em menos de três meses, o número de notificações de casos de dengue no Rio é maior do que o total dos anos de 2010 e 2009 somado na capital. Desde janeiro já foram notificados 8.315 casos da doença na cidade. Nos dois anos anteriores, somados, foram 5.843 notificações.      

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