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Família de mineiro morto em Portugal enfrenta dificuldades para traslado

Família de mineiro morto em Portugal enfrenta dificuldades para traslado

Atualizado: Quinta-feira, 24 Março de 2011 as 4:16

Uma família de Timóteo, no Vale do Aço, em Minas Gerais, enfrenta problemas para trazer o corpo de um mineiro que morreu na última sexta-feira (18) na cidade de Cascais, em Portugal. De acordo com informações da vice-cônsul Denise Nickel, do Consulado-Geral do Brasil em Portugal, Júlio Carvalho tinha de 28 anos, foi agredido na rua, em Lisboa, no dia 17 de dezembro e estava internado em coma, mas não resistiu. Ele morava com a companheira e a filha, de sete anos, na cidade de Lisboa e trabalhava como pintor.

Segundo a mulher dele, Cleuzeane Aparecida, de 26 anos, a família quer enterrá-lo em Timóteo, mas não tem dinheiro suficiente para transportar o corpo para o Brasil. “Achamos que o consulado tinha alguma coisa a ver, mas o consulado falou que não tem nada a ver com isto”, diz Cleuzeane, que acompanha o processo de liberação do corpo em Portugal.

De acordo com Denise Nickel, o órgão oferece apoio às famílias neste tipo de caso, mas não pode interferir com ajuda financeira. Ainda segundo ela, não há informações sobre as investigações do crime e nem sobre a identificação de suspeitos. “Qualquer processo criminal corre em segredo de Justiça, em Portugal”, disse a vice-cônsul.

“Eu não posso nem falar realmente que a polícia está investigando, mas diz que está, sob sigilo. Eles não dizem nada, nem que sim, nem que não. É um absurdo. O fato de a gente não estar na terra da gente, no lugar da gente, ainda piora as coisas”, diz Cleuzeane Aparecida. Ela e a família de Carvalho estão recolhendo dinheiro de amigos e parentes com o objetivo de juntar R$ 14 mil. Segundo ela, este é o valor necessário para comprar a passagem dela e da filha do casal para o Brasil e transportar o corpo de Júlio Carvalho para Timóteo. O corpo dele está no necrotério do Hospital José Almeida, mas Cleuzene Aparecida diz que há um prazo de cerca de 15 dias para a retirada. “Não tenho mais estrutura para ficar aqui”, diz Cleuzeane.

Procurado pelo G1 , o Itamaraty informou que uma lei brasileira desobriga os consulados e embaixadas fora do país e o Itamaraty de fazer traslados de corpos de brasileiros mortos no exterior.

A mãe de Júlio Carvalho também está em Portugal. Ela seguiu para o país para visitar o filho quando estava internado. “Ela foi antes de ele morrer. Ela chegou lá e conseguiu achar ele vivo, ele estava mexendo as mãos e os pés. Ele até reconheceu ela”, diz o pai de Júlio, Benedito Carvalho. “A dor da gente é muito grande, mas tudo vai dar certo”, completa o pai, emocionado.

Para trazer o corpo para o Brasil, a família recolhe dinheiro por meio da conta bancária da mãe de Júlio Carvalho. A conta poupança número 25466-5 está registrada na agência 2864-9, no Banco do Brasil, em nome de Izabel Aparecida Carvalho.      

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