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Famílias se dizem ameaçadas em cemitérios públicos de São Paulo

Famílias se dizem ameaçadas em cemitérios públicos de São Paulo

Atualizado: Terça-feira, 1 Novembro de 2011 as 2:32

Famílias que tentam enterrar seus mortos em cemitérios de São Paulo reclamam do assédio de prestadores de serviços. A família é a responsável pela manutenção do túmulo, mas pode pagar um jardineiro credenciado para cuidar disso. Contudo, quem se nega a contratar os serviços de jardinagem corre o risco de ter os túmulos depredados. Os coveiros também cobram taxas, como mostrou uma reportagem do SPTV desta terça-feira (1º).

No Cemitério da Saudade, a família acabava de enterrar um parente e, junto com a dor, a raiva. Segundo uma das familiares, um homem se aproximou e falou para a viúva comprar a lápide dele, não do lado de fora. “Se não comprar deles, some. Quer dizer que sou obrigada a molhar a mão deles para não sumir. Meu irmão foi enterrado no dia 10 de março. Comprei por conta própria, com outra pessoa. Sumiu.”

A preocupação da viúva é que, se a lápide sumir, ela não vai conseguir encontrar o túmulo do marido. “Estou vendo placa pra todo canto, encostada, jogada de qualquer maneira. Eu não sei ler. Eu tenho que chegar aqui uma hora pra fazer a oração pra ele, eu tenho que saber onde ele está pelo retrato.”

Nos cemitérios municipais, as sepulturas são entregues apenas com a terra cobrindo a cova. Grama, flores, placas de identificação são pagos à parte. Os serviços são particulares e não existe preço fixo. A jardinagem não é feita por funcionários da Prefeitura, nem por empresas terceirizadas contratadas por ela. Os jardineiros são autônomos, mas precisam ser credenciados pelo Serviço Funerário Municipal.

O jardineiro credenciado tem uma carteirinha, renovada todo ano e precisa usar um jaleco verde. Antes dos enterros, eles não podem se aproximar das famílias para que ninguém se sinta pressionado a contratar os serviços.

No Cemitério Vila Formosa I, na Zona Leste de São Paulo, um dos jardineiros revelou que no cemitério eles driblam a norma. O coveiro, que está mais próximo da família, indica o jardineiro e cobra uma comissão. “Eles cobram R$ 25 de um serviço de R$ 200. O coveiro pega a 'comissãozinha' no dia do plantão”. Isso é proibido. Os coveiros são funcionários públicos e não podem cobrar nenhuma taxa.

No Chora Menino, o funcionário da administração diz que a falta de controle sobre jardineiros gera abuso. “Se deixar, eles aproveitam. É bom nem pensar nisso. Não tem fiscalização para isso.”

Um jardineiro do Cemitério Jardim São Luiz, na Zona Sul, confirma que os preços podem variar muito. “São 14 jardineiros. Cada um tem um preço e o serviço deles. Os que fazem, se for cobrar de você para fazer isso, vai cobrar um valor de R$ 180. Eu vou fazer para você por R$ 60.”

Nice Moreira, costureira, perdeu o pai recentemente e não quis pagar pela manutenção particular. Ela e o irmão resolveram cuidar sozinhos do túmulo. "A minha mãe a gente também não pagou. E um senhor que tinha, um português, tudo que a gente colocava, ele tirava. A minha tia vinha aqui, plantava rosa, e ele tirava. Vamos ver com o meu pai o que vai acontecer, a gente que vai cuidar, vamos ver se vai acontecer alguma coisa."

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