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Famílias seguem em calçada 5 dias após reintegração no centro de SP

Famílias seguem em calçada 5 dias após reintegração

Atualizado: Terça-feira, 7 Fevereiro de 2012 as 2:14

Osmar Silva Borges, coordenador geral da FLM (Frente de Luta por Moradia), afirmou que as famílias irão continuar na calçada até a prefeitura apresentar uma proposta. Segundo ele, nenhum representante da Secretaria da Habitação esteve no local para apresentar uma alternativa que os tirem na calçada.

Na semana passada, eles se recusara a ir para albergues, pois alegam que os espaços não comportam integrantes da mesma família. "Isso (albergues) não aceitam. Eles querem continuar com a família unida e no mesmo ambiente", disse.

Segundo Borges, o calor dos últimos dias fez com que mulheres e crianças passassem mal e fossem encaminhadas para a Santa Casa.

A Secretaria Municipal de Habitação informou que um arrolamento com as família foi feito antes da reintegração do edifício. A partir desse procedimento, as famílias deverão entrar na fila de espera para receber o auxílio aluguel.

LIMINAR

A Justiça cassou a liminar que garantia o atendimento habitacional definitivo aos ocupantes pela prefeitura do edifício.

Segundo Borges, funcionários da prefeitura estiveram no local durante a desintegração, mas não apresentaram nenhuma proposta ou alternativa para as famílias desabrigadas.

Em nota, a Secretaria Municipal de Habitação disse que a "Justiça entendeu que a prefeitura tem obrigação de conceder abrigo às famílias e incluí-las nos programas habitacionais, mas que é preciso respeitar a ordem de atendimento habitacional".

DESOCUPAÇÃO

A organização dos moradores começou a organizar a desocupação na madrugada da última quinta (2). Eles haviam se reunido com a polícia para garantir que todos sairiam pacificamente do imóvel.

Por volta das 7h30, as famílias fizeram um panelaço e estendem faixas no prédio, protestando contra a ação de reintegração e logo em seguida começaram a retirar seus pertences. A retirada dos móveis havia terminado no início da tarde.

Segundo a PM, os objetos das famílias estavam sendo encaminhados para caminhões cedidos pelo autor da ação de reintegração e foram levados para o local indicado pelas famílias ou para um depósito judicial.

"Nossa casa agora vai ser a rua porque ninguém aqui tem para onde ir. Se tivesse não estaria ocupando. Decidimos sair para não levar borrachada à toa e para que as pessoas não pensem que somos bandidos e traficantes", afirmou o autônomo William Marcelino Correa do Nascimento, 18.

"Queremos uma moradia fixa para sair das ruas e poder por nossos filhos da escola. Estamos confiantes que a prefeitura vai se mobilizar para atender a gente, porque também precisamos de estrutura familiar", afirmou a desempregada Andrea da Silva, 34, que morava havia três meses em um quarto do prédio desocupado com o marido, a irmã, o cunhado e dois sobrinho.

O prédio havia sido ocupado há cerca de três meses por cerca de 230 famílias.

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