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Fazendeiro acusado de ferir jovem em racha em SP é preso no Pantanal

Fazendeiro acusado de ferir jovem em racha em SP é preso no Pantanal

Atualizado: Segunda-feira, 24 Maio de 2010 as 9:39

O fazendeiro José Antônio Scatolin Filho, de 34 anos, acusado de ferir um estudante após um acidente de trânsito em Araçatuba, no interior de São Paulo, foi preso em uma propriedade sua, a 145 km de Coxim, no Pantanal.

Os delegados e investigadores de São Paulo e de Mato Grosso do Sul tiveram de percorrer 900 km até chegar ao local.

Com prisão decretada, Scatolin Filho estava desaparecido desde o acidente. Há três anos, ele passou no sinal vermelho, a mais de 100 km/h, e bateu no carro de Vinicius Batagelo, estudante do ITA, o Instituto Tecnológico de Aeronáutica, uma das universidades mais conceituadas do país.

Batagelo sofreu traumatismo craniano, perdeu parte da memória e só recentemente voltou a frequentar as aulas, sem compromisso com frequência e provas.

Só após oito meses de investigação, os policiais descobriram o esconderijo de Scatolin Filho. Na fazenda, que tem pista para avião, a família cria cinco mil cabeças de gado. Até o local, são mais de oito horas de viagem.

Mesmo depois de chegar à sede, os policiais descobriram que o acusado de participar de um racha havia se escondido em uma cabana, no meio do mato. A polícia teve de efetuar tiros de alerta. E o fazendeiro se entregou.

Foi no meio do Pantanal que durante três anos o pecuarista se escondeu da polícia. Ele quase não saía da fazenda. Quando precisava, só usava o avião da família.

Após a prisão, um susto na volta para Araçatuba. Em um posto da Polícia Rodoviária Federal, ainda em Mato Grosso do Sul, em Três Lagoas, o carro em que estava o preso foi parado. Policiais federais e rodoviários disseram ter recebido uma denúncia de que os policiais paulistas eram contrabandistas.

Os federais confundiram as armas da Secretaria da Segurança de São Paulo com armas contrabandeadas. Eles chegaram a comemorar a operação com um tiro, que feriu um colega policial federal.

Mas uma hora antes o setor de inteligência da PF já havia sido informado que a denúncia era falsa. Mesmo assim, o carro da polícia paulista foi cercado por mais de 30 homens.

"A abordagem que foi feita pela Polícia Federal tem ligação com a prisão do pecuarista. Tem que ser apurado", declarou o delegado Carlos Henrique Cotait.

Procurada, a Polícia Federal não se manifestou. Só depois de quatro dias, os policiais finalmente conseguiram levar José Scatolin Filho para a cadeia, em Araçatuba.

O fazendeiro vai à júri popular em razão da tentativa de homicídio com dolo eventual.

Imagens do carro de Scatolin Filho passando em alta velocidade antes de ferir gravemente o estudante do ITA foram feitas pela câmera de um restaurante. O dono disse que o fazendeiro sempre participou de rachas. "Falei com ele que parasse com isso, que não ia dar certo, mas três semanas depois aconteceu o fato." 

"Estava com sinal amarelo, acelerei e fui passar. Apareceu um carro na frente. Um carro no cruzamento, no sinaleiro. Espero agora pagar o que tiver que pagar perante a Justiça", afirmou Scatolin Filho.

Ele deve ir a julgamento ainda neste ano e pode ser condenado a 30 anos de prisão.

Mas o promotor responsável pela acusação terá de ser outro. O primeiro promotor que cuidava do caso era Wagner Grossi. Foi ele quem pediu a perícia do acidente provocado por José Scatolin Filho. Mas três meses depois, em outubro, em uma rodovia, o promotor, que também dirigia em alta velocidade, invadiu a pista contrária, bateu de frente em uma moto e matou três pessoas.

Laudos mostraram que o promotor estava bêbado. As vítimas foram Alessandro dos Santos, a namorada Alessandra Alves e o filho dela, de sete anos.

O promotor Wagner Grossi foi transferido de Araçatuba para a capital paulista. Ele responde em liberdade por triplo homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Em casos assim, o motorista geralmente não vai preso. O promotor preferiu não se manifestar.

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