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'Fecho com José Padilha', diz Wagner Moura sobre novo 'Robocop'

'Fecho com José Padilha', diz Wagner Moura sobre novo 'Robocop'

Atualizado: Terça-feira, 22 Março de 2011 as 12:58

Escrever que Wagner Moura está no melhor momento da carreira é praticamente um lugar comum no jornalismo. Mas não há jeito: mais uma vez, o ator baiano se encontra no topo de sua profissão. Após estrelar “Tropa de elite 2”, filme de maior bilheteria da história do cinema nacional, e debutar como diretor de videoclipe, ele começará em junho as filmagens do seu primeiro longa em Hollywood: será o vilão principal de "Elysium”, novo trabalho do sul-africano Neill Blomkamp (“Distrito 9”), que também tem Jodie Foster e Matt Damon no elenco.

Por questões contratuais, Moura só confirma que fará mesmo um “personagem do mal”. Mas isso não evita que ele explique, com muito bom humor, os motivos de não ter aceitado antes propostas de projetos internacionais.

“Depois de ‘Tropa 2’ só recebi esse convite [internacional] e o achei muito bom, quis fazer na hora. Antes só tinha recebido umas sondagens que não tinham me interessado. Nos projetos que vinham, e que eu achava bom, só queriam o [Javier] Bardem”, brinca o ator, em entrevista ao G1 logo após o lançamento de “Vips”, filme de Toniko Melo em que vive o golpista Marcelo Nascimento da Rocha.

Curiosamente, o anúncio aconteceu uma semana antes da notícia do début internacional de José Padilha, que será o novo diretor de “Robocop”. Uma “coincidência não tão coincidência assim”, segundo Wagner Moura... “O ‘Tropa 2’ foi muito bem em Sundance, já o ‘Tropa 1’ foi muito mal lançado nos EUA, apesar de todas as pessoas de Los Angeles o terem visto. Fatalmente isso teve um peso muito importante tanto para mim quanto para o Zé. Não adianta o filme ser bom e ninguém ver”, diz.

Perguntado se aceitaria participar do projeto do colega, Moura não pensa duas vezes. “Eu adoro trabalhar com o Padilha, fecho com ele com o que ele me chamar. Não acho que vai ter personagem pra mim nesse filme não, mas se ele quiser trabalhar comigo de novo...”, sugere.

Sob nova direção

Apesar do novo rumo da carreira, o Capitão Nascimento afirma que sua prioridade ainda é o cinema nacional. Além de “Vips”, ele acaba de filmar “O homem do futuro” (de Cláudio Torres) e, antes de “Elysium”, fará “A cadeira do pai”, de Luciano Moura, com Lima Duarte e Mariana Lima. Também sonha ser diretor: escreve há anos, “no papel e com caneta Bic”, um projeto “ainda sem argumento” que será seu filme pessoal. O outro deve ser a adaptação de um livro de Rodrigo Teixeira, que ele não diz o título.

“Tive a oportunidade de dirigir um videoclipe e só fiquei pensando nisso, de como o cinema é um negócio lindo de colaboração, de como é uma arte de uma origem, o roteiro, em que você chama um bocado de artistas de cada área para contribuir, para que essa história seja contada”, diz, ao mesmo tempo em que aproveita para relembrar que fazer novelas não está em seus planos atuais.

“A novela é um negócio de tempo. Você faz 20 cenas num dia só, o cara tem que estar com muita disposição para fazer aquilo. Além disso, o cinema brasileiro está num momento muito bom”, comenta, enquanto cita seus últimos dois trabalhos como exemplos de produções diferenciadas.

“O ‘Vips’ se insere num contexto extraordinário: é um filme de qualidade que tem um bom roteiro, uma boa produção, bons atores e que almeja um público, que busca achar um lugar no mercado. Tenho muito bode desse negócio de que filme bom tem de ser cabeçudo para 17 pessoas assistirem. E que filme para agradar o público tenha de ser uma merda”, ataca.

“O ‘Tropa’ é significativo por unir essas duas qualidades e ter uma dimensão política. É o maior sucesso da história do cinema nacional. Nem o espectador é um idiota que só quer ver merda nem o crítico é um idiota que só respeita filme hermético. O Brasil tem essa herança do cinema político, do Cinema Novo, de que filme bom tem de ser difícil, não pode comunicar... Eu sou um artista que quero me comunicar”.

O ator também não fica no muro quando perguntado sobre seu papel nesse novo cinema que afirma existir. Sabe que seu nome leva as pessoas ao cinema e se diz orgulhoso disso. Em “Vips”, por exemplo, ele está em cena durante mais de 90% do filme.

“Eu acho bom. Eu vou ver um filme que o Selton [Mello] faz, acho bom ter atores que chamem o público para o cinema. Eu quero ver um filme com o Sean Penn, com o Al Pacino... Isso é algo significativo do esquema que estou falando”, comenta, antes de bater no próprio peito.

“Eu quero fazer parte desse movimento do cinema brasileiro, que é um cinema que pode ser bastante comunicativo. Talvez ele não possa ser como uma novela que atinja o Brasil todo. Fico orgulhoso de meu nome estar em vários momentos da retomada do cinema nacional”.

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