Federação de policiais diz que corte reduz autonomia da PF

Federação de policiais diz que corte reduz autonomia da PF

Atualizado: Sexta-feira, 11 Março de 2011 as 7:20

Ao anunciar os cortes no Orçamento, o governo federal tomou uma medida que vai afetar a autonomia da Polícia Federal na avaliação da FNPF (Federação Nacional dos Policiais Federais).

No mesmo decreto em que limitou gastos com diárias e passagens, a presidente Dilma Rousseff também determinou que "somente ministros de Estado podem autorizar despesas" referentes a deslocamento de servidor por mais de dez dias e de mais de dez servidores para o mesmo evento.

Até então, explica o presidente da FNPF, Marcos Wink, eram os superintendentes da PF nos Estados que controlavam os gastos com viagens e os delegados tinham autonomia para definir a duração das missões de seus agentes.

"Uma maneira de controlar a PF é cortando dinheiro", diz Wink.

A PF está hierarquicamente subordinada ao Ministério da Justiça que, por meio da assessoria de imprensa, garante que a polícia não vai ser prejudicada pelas novas medidas de redução de gastos e que o trabalho dos federais é prioridade para o governo.

O ministro José Eduardo Cardozo assinou portaria delegando ao secretário-executivo e aos dirigentes máximos das unidades regionais subordinadas à pasta o poder para conceder diárias e passagens aos servidores.

A FNPF publicou nota na página da entidade na internet dizendo que as operações serão "engessadas", o combate ao tráfico nas fronteiras prejudicado e que cursos foram suspensos.

A PF confirma que um curso de especialização para 250 policiais, que seria em Brasília dia 14 deste mês, foi suspenso por falta de recursos para contratar professores e custear a locomoção dos alunos, mas não comenta as reclamações da FNPF.

EXCEÇÃO

Representantes da categoria dizem que a PF precisa ser tratada como exceção à regra pela peculiaridade do trabalho.

O diretor do sindicato da PF em Brasília, Leandro Ernesto, afirma os cortes não limitam apenas as operações especiais como também atividades rotineiras de acompanhamento de alvos e monitoramento de fronteiras, que normalmente duram mais que dez dias e mobilizam centenas de policiais.

"Não dá para fazer operação de dez dias. Esse decreto não serve para a PF, vai causar transtornos", diz Ernesto.

Por Fernanda Odilla

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