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Festival de cinema mais tradicional do país aposta em novos diretores

Festival de cinema mais tradicional do país aposta em novos diretores

Atualizado: Quarta-feira, 24 Novembro de 2010 as 11:38

Dando destaque para uma geração de diretores pouco conhecidos em sua mostra principal, começou na noite desta terça-feira (23) o 43ª Festival de Brasília de Cinema Brasileiro. A cerimônia de abertura, realizada no Teatro Nacional de Brasília, contou com a presença do

ministro da Cultura Juca Ferreira e dos cineastas José Eduardo Belmonte, Vladimir Carvalho e Carlos Reichenbach, que é homenageado nesta edição do festival.

Muito emocionado, Reichenbach disse antes da exibição da versão integral de "Lilian M – Relatório Confidencial" que se sente em casa em Brasília e que o filme é, antes de tudo, uma carta de princípios. "Vivíamos nos anos 70 uma era de metáforas, nós éramos obrigados a

falar por metáforas." A versão de "Lilian M" lançada em 1975 foi censurada e chegou às salas de cinema com 25 minutos a menos. Antes do longa, foi exibido o curta "50 anos em 5", de José Eduardo Belomonte.

Novos rostos atrás das câmeras - A maior parte dos diretores dos longas que estão na disputa da mostra competitiva do 43º FBCB nem era nascida quando o festival foi realizado pela primeira vez, em 1965. A exceção fica por conta de João Jardim, diretor de "Amor?", que nasceu

um ano antes da edição inaugural da mostra idealizada pelo crítico cinematográfico Paulo Emílio Salles.

Os outros concorrentes - Felipe Bragança e Marina Meliande com "A Alegria"; Eryk Rocha, com "Transeunte"; Tiago Mata Machado com "Os Residentes"; Marcelo Lordello com "Vigias" e Sérgio Borges com "O Céu sobre os Ombros" - são nomes poucos conhecidos no circuito de festivais e com pouca experiência com longas metragens.

De acordo com o diretor do festival, Fernando Adolfo, a seleção de obras de novos diretores foi intencional, pois a produção dos jovenscineastas chamou atenção dos integrantes da comissão de seleção. "Ao analisar os 21 filmes de longa metragem inscritos, a curadoria percebeu essa juventude, não apenas de idade, mas também estética", explica Adolfo, destacando que os filmes selecionados podem sinalizar o caminho para uma novíssima geração do cinema brasileiro.

Reichenbach acredita que, de fato, existe uma nova safra de diretores despontando, mas frisa que o destaque que os jovens ganharam nessa edição do FBCB pode ser sinal de que os diretores mais experientes estão com medo de produzir e se arriscar. "Os veteranos estão com medo de se lançar no vestibular, existe um certo temor. É compreensívelaté, porque é apavorante se sujeitar a ser mal recebido", avalia o cineasta, que venceu o FBCB em 1993 com "Alma Corsária".

Uma semana dedicada ao cinema

Seis filmes de longa e 12 de curta metragem integram a mostra competitiva em 35 mm. 22 filmes em curta e média metragem participam da competição digital. A programação do

festival também inclui seminários, workshops e debates com as equipes os filmes participantes

O FBCB é um dos mais tradicionais festivais do país e, por ser o último no calendário de mostras de cinema e exigir ineditismo dos filmes participantes, causou polêmica em 2008 por trazer majoritariamente documentários na mostra competitiva de longas metragem em 35mm.

No ano passado, o festival ganhou destaque novamente ao premiar o filme "É proibido fumar", de Anna Muylaert. Além de ganhar o Candango de melhor filme, "É proibido fumar" levou mais sete prêmios, incluindomelhor roteiro, melhor atriz para Glória Pires e melhor ator para

Paulo Miklos.

A mostra competitiva começa amanhã e vai até a próxima segunda-feira (29). A expectativa da organização é que 70 mil pessoas acompanhem o festival, que vai distribuir R$ 550 mil em prêmios.

Conheça os concorrentes na mostra competitiva em 35mm:

Longas

"A alegria", de Felipe Bragança e Marina Meliande (RJ)

"Amor?", de João Jardim (RJ)

"O mar de Mário", de Reginaldo Gontijo e Luiz F. Suffiati (DF)

"O céu sobre os ombros", de Sérgio Borges (MG)

"Transeunte", de Eryk Rocha (RJ)

"Vigias", de Marcelo Lordello (PE)

Curtas

"A mula teimosa e o controle remoto", de Hélio Villela Nunes (SP)

"Acercadacana", de Felipe Peres Calheiros (PE)

"Angeli 24 horas", de Beth Formaggini (RJ)

"Braxília", de Danyella Neves e Silva Proença (DF)

"Cachoeira", de Sergio José de Andrade (AM)

"Café Aurora", de Pablo Pólo (PE)

"Contagem", de Gabriel Martins e Maurilio Martins (MG)

"Custo zero", de Leonardo Pirovano ( RJ)

"Fábula das três avós", de Daniel Turini (SP)

"Falta de ar", de Érico Monnerat (DF)

"Matinta", de Fernando Segtowick (PA)

"O céu no andar de baixo", Leonardo Cata Preta (MG)

Por: Jamila Tavares

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