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Festival de Locarno seleciona "Luz nas Trevas'', com Ney Matogrosso, e curtas brasileiros

Festival de Locarno seleciona "Luz nas Trevas'', com Ney Matogrosso, e curtas brasileiros

Atualizado: Terça-feira, 3 Agosto de 2010 as 11:15

Filmado a partir de um roteiro de Rogério Sganzerla, que morreu em 2004, “Luz nas Trevas – A Volta do Bandido da Luz Vermelha”, de Helena Ignez e Ícaro Martins, será o único longa brasileiro da competição internacional do Festival de Locarno, Suíça, que se desenrola entre 4 e 14 de agosto próximo. Nesta seção, o prêmio principal atinge 90.000 francos suíços (cerca de R$ 152.000,00).

Dois outros curtas nacionais fazem parte da seleção. Na competição de curtas/médias até 40 minutos, intitulada Pardi di domani (Leopardos do amanhã), há outro concorrente brasileiro, “Ensolarado”, de Ricardo Targino, que recentemente competiu no Festival de Paulínia (SP). Nesta seção, o prêmio maior vale 10.000 francos suíços (cerca de R$ 18.000,00). No programa especial, não competitivo, Corti d’autori, será exibido outro curta, “Nem marcha nem chouta”, do mineiro Helvécio Marins Jr. (codiretor do premiado curta “Trecho”, 2006).

“É o único longa latino da competição”, comemora Djin Sganzerla, filha de Sganzerla e principal atriz de “Luz nas Trevas...”. Filmada em fevereiro de 2009, num presídio abandonado, na zona leste de São Paulo, a história revisita o protagonista do filme “O Bandido da Luz Vermelha” (1968) – que também terá uma sessão especial em Locarno, juntamente com o curta “B2”, de 2001, igualmente dirigido por Sganzerla.

Inspirado num assaltante real, João Acácio Pereira da Costa, e interpretado em 1968 pelo ator Paulo Villaça (que morreu em 1992), o bandido tem como novo intérprete o cantor Ney Matogrosso, em seu primeiro papel principal no cinema.

Nesta sequência, o personagem encontra seu filho, outro bandido, chamado "Tudo ou Nada" (André Guerreiro Lopes). Djin interpreta sua namorada, Jane, mesmo nome da namorada do bandido original, vivida em 1968 por sua mãe. Helena Ignez. Desta vez, além de dirigir, Helena vive outra personagem importante, Madame Zero. Sergio Mamberti, que fazia um taxista no filme original, aqui interpreta outro marginal, Nenê Jr. E o delegado Cabeção é vivido pelo músico Arrigo Barnabé.

O próximo dia 11 de agosto será a première mundial desta versão definitiva de “Luz nas trevas...” - que teve um primeiro corte exibido em dezembro do ano passado no Festival de Cinema Luso-Brasileiro de Santa Maria da Feira, em Portugal. A exposição internacional pode deslanchar também a carreira do filme. “Estamos recebendo diversos convites para distribuição internacional, mas ainda estamos analisando”, comenta Djin, sócia da mãe, Helena, e da irmã, Sinai Sganzerla, na produtora Mercúrio Filmes, responsável pelo longa.

Curta mineiro

Diretor de vários curtas, e atualmente preparando o primeiro longa (“Quase Samba”), o mineiro Ricardo Targino assina roteiro e direção de “Ensolarado”. Representante brasileiro na competição Pardi di domani, o curta conta a história de uma menina (a estreante Ariane Oliveira), que sofre de fotofobia e, por isso, tem comportamento considerado estranho, já que ela evita brincar fora de casa.

Na história, a menina acaba sendo confiada pelos pais a um amigo, que a leva para estudar em outra cidade maior. Segundo o diretor, sua intenção foi “fazer um filme sobre a saudade de casa. Eu saí da minha aos 14 anos”. Natural de Medina (MG), Targino filmou no vale do Jequitinhonha, contando com a fotografia do experiente Pedro Urano (do documentário “O Sol – Caminhando contra o Vento”, de Tetê Moraes e Martha Alencar).

Targino destaca que a presença do diretor de fotografia foi fundamental para a realização de uma pesquisa de linguagem pretendida por ele. “Buscamos um olhar mais ‘bárbaro”, menos refinado, diante das coisas simples que são também lúdicas, como nas cenas que mostram as pessoas tirando leite da vaca ou fazendo panelas do barro do rio”, destacou.

“Ensolarado” é também o primeiro de uma pretendida série de cinco pequenos filmes planejados pelo diretor sobre os cinco sentidos. O próximo já tem nome, “Perfumaria”, e trata de “um cheiro novo que invade uma cidade”.

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