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Filme de Arnaldo Jabor abre hoje Festival do Rio

Filme de Arnaldo Jabor abre hoje Festival do Rio

Atualizado: Quinta-feira, 23 Setembro de 2010 as 10:15

Foram 20 anos de ausência do set. Foram também 20 anos de textos escritos no calor da hora e críticas ácidas aos governos e ao país. Da soma dessas duas experiências surgiu "A Suprema Felicidade", o longa-metragem que marca a volta de Arnaldo Jabor, 69 anos, ao cinema.

O filme, que chega às telas de todo país em 29 de outubro, será exibido hoje à noite, em sessão de gala, no Cine Odeon, na abertura do Festival do Rio, que vai até o dia 7.

Ao retornar para detrás das câmeras, o diretor de "Toda Nudez Será Castigada" (1973) e "Eu Sei que Vou Te Amar" (1986) surge envolto em certo saudosismo --do cinema e também do país.

O comentarista feroz dá lugar, na tela, ao romântico desejoso de falar sobre o amor, ao cronista que idealiza um certo espírito carioca.

"A realidade eu tenho todo dia. Vejo as coisas ruins, criticáveis, e escrevo sobre elas. Isso te envenena a alma", diz Jabor. "Fiz esse filme em busca do prazer da obra de arte."

TIPOS FELLINIANOS

O filme é, à la "Amarcord", de Fellini, uma volta à infância do diretor. No Rio dos anos 1940, o menino Paulo, que seguiremos dos oito aos 18 anos, vê a cidade e as vidas adultas correrem por seus olhos de maneira cômica, dramática, escrachada.

"Os filmes atuais são obcecados pelo enredo. O que tem de felliniano no meu filme é que as sequências se somam, sem que uma explique, necessariamente, a outra", diz. "São vários os enredos."

Atores como Marco Nanini, Dan Stulbach, Mariana Lima, Ary Fontoura, Elke Maravilha e João Miguel desfilarão pelo filme em papéis que crescem e encolhem. Jabor tirou, de sua caixinha de lembranças, o capitão obcecado por aviões, o pipoqueiro galanteador, a mãe de santo, as prostitutas, os sambistas, os padres caricatos.

"Nestes tempos pós-utópicos, os diretores me parecem um pouco perdidos, tentando falar dos grandes temas. Decidi falar sobre o que eu sei", diz. "A busca da felicidade atravessa épocas."

Jabor não se vê saudosista. Acha, ao contrário, que fez um filme colado à realidade. Essa característica, segundo ele, se deve ao jornalismo.

"O jornalismo foi uma das melhores coisas que me aconteceram. Ele me livrou do cinema, que estava me enlouquecendo, me colocou no mundo", diz.

"Eu tinha ganho uma Palma de Ouro [de atriz, para Fernanda Torres, por "Eu Sei que Vou te Amar"] e, de repente, não tinha dinheiro para comer. Pior: estava vendo meus amigos morrerem", diz, referindo-se a Glauber Rocha, Joaquim Pedro de Andrade e Leon Hirszman.

Talvez por isso, ao voltar para o set, ele tenha ido atrás da suprema felicidade.

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