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Fiz a coisa certa, diz Jackeline Petkovic sobre cadeirinha no carro

Fiz a coisa certa, diz Jackeline Petkovic sobre cadeirinha no carro

Atualizado: Quarta-feira, 9 Junho de 2010 as 11:54

A apresentadora de TV Jackeline Petkovic, de 29 anos, nunca teve dúvida: o filho Enzo, hoje com dois anos e meio, não saiu da maternidade nos braços dela. E sim em uma cadeirinha que foi colocada no carro para transportá-lo até em casa. A preocupação com a segurança do menino foi o que o salvou do grave acidente que os dois sofreram em agosto do ano passado em São Paulo. Jackeline ficou em coma. Enzo não sofreu um arranhão porque estava corretamente acomodado no veículo.

Publicada em maio de 2008, a resolução 277 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) torna obrigatório o uso da cadeirinha nos veículos para menores até 7 anos e meio. Apesar da expectativa de a nova regulamentação começar a valer nesta quarta (9), em razão da corrida dos pais em busca do acessório e da consequente falta do produto nas lojas, o uso só será obrigatório a partir de 1º de setembro. Quem infringir a regra, cometerá infração gravíssima, conforme dita o Código de Trânsito Brasileiro, pagará multa de R$ 191 e ainda receberá sete pontos na carteira de habilitação. “Senti que tinha feito a coisa certa. Fiquei orgulhosa”, disse Jackeline ao comentar sobre Enzo estar na cadeirinha e ter saído ileso da colisão. Os pais da apresentadora retiraram o menino do Rodoanel Mário Covas, onde houve a batida, sem que ele precisasse passar pelo hospital. Como estava em estado grave, Jackeline deixou o local de helicóptero e seguiu para o Hospital das Clínicas.

Quem conhece de perto o drama de crianças vítimas de acidente de trânsito comemora a lei. “O uso correto da cadeira reduz em até 70% o risco de morte e lesões. A gente vê essa resolução trazendo mais proteção para as crianças”, diz Alessandra Françoia, coordenadora Nacional da ONG Criança Segura.

Alessandra ressalta que é preciso estar atento ao manual de instruções para que a cadeira seja colocada corretamente no carro. As crianças nunca devem ficar soltas. “Por ser pequena, a criança passa entre os bancos, entre os vidros. É mais frágil e tem chance de ter lesões mais graves”.

Fraturas e cirurgias

A dona de casa Iolina Torres de Lima, de 35 anos, sabe bem o que é isso. Até hoje, a filha Thaís Torres de Lima, de 15 anos, passa por cirurgias para corrigir os danos provocados por um acidente de carro quando ela tinha 7 anos. Iolina contou que a menina estava no banco de trás de um Fusca, sem cinto de segurança, quando o veículo atingiu a traseira de uma perua. Thaís voou para a frente.

“Ela ficou nas ferragens, o rosto dela afundou. Ele estava correndo muito”, afirma a dona de casa ao falar do motorista, que era ex-chefe do tio de Thaís e estava bêbado ao volante. Segundo Iolina, Thaís quebrou as duas pernas, perdeu o olho esquerdo – usa uma prótese – e já fez “várias” cirurgias para reconstruir a face. A próxima deve ser feita no nariz.

Iolina apoia a obrigatoriedade da cadeirinha. “Ela podia ter se machucado [se estivesse na cadeira)] mas não do jeito que foi. É difícil. Jamais quero que alguém passe por isso”, conta a mulher, que mora no Jardim Damasceno, Zona Norte de São Paulo.

Especialista em cirurgia no rosto, o cirurgião plástico Alexandre Fonseca alerta: “Quem tem mais fratura de face é quem está no banco traseiro porque não usa cinto”. No caso de crianças, o problema pode ser pior. “Geralmente, a criança é ejetada do veículo, é uma vítima politraumatizada e a cadeirinha é o que tem de mais seguro.”

Sem negociação

Alessandra, da ONG Criança Segura, ressalta que os pais nunca devem ceder aos caprichos dos filhos que não querem ficar na cadeirinha. “Muitas vezes, falam da dificuldade de instalar a cadeirinha, dizem que as crianças não querem usá-las e eles acabam aceitando porque acham que não é importante, mas isso não é uma negociação”, afirma.

Com Jackeline, Enzo nem teve tempo de fazer manha. Para acostumar o menino ao acessório, quando ele estava mais crescidinho, a apresentadora passou a assistir à TV da seguinte forma: ela no sofá e ele na cadeirinha, no chão da sala.

De vez em quando, o garoto também ganhava guloseimas. “Ele passou a associar a cadeirinha a coisas boas. Não foi uma guerra”, conta a mãe do bebê, que vê o assento como brincadeira e não assunto de gente grande.

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