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Fiz o filme que queria fazer, diz José Padilha, sobre Tropa de Elite 2

Fiz o filme que queria fazer, diz José Padilha, sobre Tropa de Elite 2

Atualizado: Segunda-feira, 11 Outubro de 2010 as 11:23

O que o público vai encontrar? Não sei. Fiz o filme que queria fazer". Foi assim que o cineasta José Padilha definiu seu " Tropa de Elite 2 ", que chegou aos cinemas nesta sexta (8). "Eu não temo pelo entendimento do filme. A gente sabe, pela física, que tudo é relativo. Se você colocar um par de óculos vermelhos, vai ver tudo vermelho. Outra pessoa, não". Explicações que pareciam saídas de livros de física e história pontuaram praticamente todas as entrevistas que Padilha deu a jornalistas do país inteiro durante a quarta-feira, depois da única sessão pública do filme, na noite de terça, na cidade de Paulínia (SP) - que foi cercada de um forte esquema de segurança. Todos os convidados tiveram de deixar na chapelaria celulares e aparelhos eletrônicos - para evitar o que aconteceu com o primeiro filme, de 2007, objeto de uma verdadeira avalanche de cópias piratas e que chegaram aos camelôs meses antes da estreia nos cinemas. Tivemos assessoria de Rodrigo Pimentel - ex-BOPE (Batalhão de Operações Especiais do Rio) -, que nos ajudou a montar um esquema de segurança. Onde existia cópia em digital do filme havia câmeras de segurança, senhas e nenhum acesso à internet. Todas as cópias que chegam aos cinemas são numeradas e podem ser identificadas. A pirataria criou um custo para o projeto. As leis que existem são coniventes. Pirataria não é democratização da cultura", disse o diretor. Wagner Moura, que interpreta novamente o protagonista do filme, admitiu ter ficado traumatizado: "O que aconteceu com a gente foi um roubo" Quando questionado sobre as acusações de fascismo que o primeiro filme recebeu na época de seu lançamento, Padilha diz que isso não o abalou. E comenta: "E se tivesse me sentido mal, esse mal teria expiado no momento em que recebi o Urso de Ouro, no Festival de Berlim [em 2007], das mãos de Costa-Gavras".

Retomar o filme e os personagens para uma sequência - cujo roteiro assina com Bráulio Mantovani - foi um processo natural para Padilha. Mas ele garante que a história acaba aí. "’Tropa de Elite’" não terá um terceiro filme, nem vai virar série de televisão. "Falamos tudo o que tinha para falar sobre o assunto".

Já para Moura, que também é produtor do filme, retomar seu famoso personagem foi redescobrir novas dimensões do capitão, ou melhor, do agora coronel Nascimento. "Foi um processo difícil com a Fátima Toledo [preparadora de elenco]. O personagem é o mesmo, mas não é o mesmo. Foi uma desconstrução. Não vamos entregar o Nascimento como o público o conhece". Para o ator, o personagem sempre foi frágil e agora está mais consciente dessa fragilidade: "Ele acreditou que serviria ao bem público, mas acabou sendo usados em assuntos eleitoreiros".

"No primeiro filme, Nascimento era uma peça do tabuleiro. Já no segundo, ele vê quem está manipulando esse tabuleiro", explica o diretor. Padilha sabe também que "Tropa de Elite" comunica-se bem com o público porque materializa muito dos anseios da sociedade. "O público inteiro entende quando Nascimento fala que se o BOPE tratasse político corrupto como trata traficante, o Brasil estaria melhor."  A reação dos espectadores na pré-estreia do filme em Paulínia deixou bem claro o quanto o público deverá vibrar com algumas cenas.

Segundo Padilha, até o primeiro "Tropa de Elite" não havia filmes protagonizados por policiais no Brasil. "O cinema brasileiro é um cinema marxista. E o personagem desse cinema é o pobre, o excluído. Fomos mostrar que a polícia também tem família, também é humano, sofre, paga contas." Tanto o diretor, quanto Moura, dizem que os policiais que conhecem adoram o filme. "Os policiais honestos têm vergonha dos corruptos. O cara que faz o seu trabalho direito quer mais que essa Polícia feche e abra outra. Qualquer pessoa minimamente razoável percebe que essa Polícia não tem condições".

Eleições e políticos, aliás, têm um papel importante em "Tropa de Elite 2". Mas Padilha garante que a chegada do filme aos cinemas uma semana depois do primeiro turno e durante a campanha para o segundo é mera coincidência. "No final do primeiro semestre, havia filmes americanos de grande circuito. Em novembro chega "Harry Potter". Não estávamos com o filme pronto para lançar em setembro. A única data que restou foi essa em outubro", afirma.

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