Flanelinhas cobram até R$ 150 em show em São Paulo

Flanelinhas cobram até R$ 150 em show

Atualizado: Quarta-feira, 4 Abril de 2012 as 9:32

O problema com flanelinhas é recorrente e parece que nunca vai ter fim. E preocupa em um país que vai sediar a Copa do Mundo e as Olimpíadas. É a ação de flanelinhas nas ruas sempre que há um grande evento.

Aconteceu de novo nesta terça-feira (3), em São Paulo. Guardadores cobravam até R$ 150 por uma vaga e quem não aceitou pagar os preços exorbitantes, correu riscos. Nossa equipe registrou de um tudo: de extorsão a carro danificado.

Muitos carros tiveram os vidros arrebentados, mesmo depois de os donos pagarem R$ 50 para estacionar na rua.

Basta ter um grande evento, em São Paulo, e lá estão eles: os flanelinhas. Estacionamentos fechados também cobram presos extorsivos.

Durante a noite, nossas equipes percorreram os arredores do Estádio do Morumbi, onde o músico Roger Waters se apresentava, e fizeram diversos flagrantes.

Noite de show no Estádio do Morumbi é noite de sofrimento para os motoristas. “Os estacionamentos estão caríssimos. No mínimo, cobram R$ 150,00”, reclama um motorista.

Quem vem de carro tem um grande problema pela frente: onde estacionar. É nessa hora que muitos motoristas caem nas mãos dos flanelinhas, e eles abusam. Cobram caro para deixar o carro na rua. “Recebi várias ofertas, de R$ 40, R$ 100, R$ 150. É um absurdo”, comenta um motorista.

Os produtores do Bom Dia Brasil percorreram avenidas e ruas em volta do estádio e registraram os flanelinhas em ação. E eles pedem alto.

Produtor do Bom Dia Brasil: Como é que está para parar?

Flanelinha: Está R$ 150.

Produtor do Bom Dia Brasil: O quê?

Flanelinha: Está R$ 150, mas dá para fazer R$120.

Produtor do Bom Dia Brasil: Quanto é?

Flanelinha: Aqui é R$ 100. Eu faço por R$ 60 pra você no outro.

Outro flanelinha cobra R$ 70 e dá explicação para o preço caro: “Show internacional”.

O produtor pergunta para outro flanelinha, e esse pede bem menos: “Você me dá 30 ‘pau’. É bem aqui pertinho”. Alguns usam pedras para garantir a vaga. “É para a gente segurar a vaga”, comenta um flanelinha.

Outro ainda cobre R$ 100 e oferece a vaga de uma casa. Mais um flanelinha tenta convencer dizendo que a vaga dele oferece menos risco: “É em frente um condomínio”. Ele afirma ainda que vai ficar de prontidão para vigiar o carro: “A gente trabalha na equipe. A gente fica a noite toda, pode ficar sossegado”.

Horas depois, voltamos ao local e não encontramos nenhum flanelinha. Eles dizem que vão cuidar do carro, mas antes mesmo do show terminar já foram embora. E o veículo parado na rua não tem proteção nenhuma. Em uma quadra, a equipe do Bom Dia Brasil contou quatro carros que tiveram os vidros quebrados. Foram atacados pelos ladrões.

Uma família ficou tão revoltada ao ver a janela estilhaçada que não quis nem saber de conversa. Em outra rua, os flanelinhas cobraram R$ 50 por carro. “Pelo que eles oferecem, é caríssimo”, diz um motorista.

Para evitá-los teve gente que deixou o carro bem longe do estádio. “Deixei a umas 10 quadras daqui. Só na caminhada”, disse um motorista. “Não paguei. Fugi do flanelinha. Não dá para ser extorquido”.

De acordo com a Polícia Militar, 145 policiais, além de 48 motos e oito carros fizeram a segurança ao redor do estádio.

Em um caso ainda bastante confuso, um policial militar levou um tiro na mão quando tentava resolver uma discussão em um estacionamento, na saída do show de Roger Waters. A polícia não deu mais detalhes sobre o caso. Disse apenas que o PM foi socorrido e passa bem.

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