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Fleury e ex-secretário fazem mea culpa e responsabilizam Ubiratan por Carandiru

Fleury e ex-secretário foram ouvidos no segundo dia de julgamento do massacre

Atualizado: Quarta-feira, 17 Abril de 2013 as 6:48

Fleury e ex-secretário foram ouvidos no segundo dia de julgamento do massacreCarolina Garcia e Wanderley Preite Sobrinho

O ex-governador de São Paulo Luiz Antônio Fleury Filho (1991-1994) e seu então secretário de Segurança, Pedro Franco de Campos, foram as principais testemunhas presentes no segundo dia do julgamento dos 25 policiais militares acusados de matar 15 detentos no Pavilhão 9 da Casa de Detenção de São Paulo, conhecida como Carandiru, em outubro de 1992. Outros três desembargadores foram ouvidos nesta terça-eira (16).

Fleury e o secretário confirmaram as expectativas dos especialistas ao assumirem parte da responsabilidade, mas atribuirem ao coronel Ubiratan Guimarães – morto em 2006 - a maior parte dela: a decisão de invadir o Pavilhão 9, onde horas antes dois líderes de gangue iniciaram uma briga que inflamou os detentos.Ex-secretário: Campos confirma ordem para Ubiratan definir invasão ao Carandiru
O ex-governador iniciou sua fala dizendo “que o coronel Ubiratan Guimarães foi atingido por um tubo de televisão e desmaiou. Isso causou comoção na tropa”, o que poderia ter resultado na invasão. Segundo Fleury, sua participação foi discreta, inclusive nas investigações: “precisava preservar a imparcialidade das investigações”.

O hoje advogado Fleury disse que não era obrigação sua visitar o local do massacre. “Eu era governador, para isso existe uma hierarquia”, disse ele, que só aceitou sua responsabilização política. “A responsabilidade política é minha; a criminal caberá aos jurados decidir.” Questionado sobre o papel dos policiais – que podem ter optado pela invasão sem autorização prévia –, o ex-governador defendeu a corporação, mas disse que “a PM responde ao secretário de segurança”: “quem tomou a atitude foi apoiado por todas as autoridades.”

Julgamento dos 26 policiais militares acusados de envolvimento no Massacre do Carandiru, realizado no Fórum da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo

Próximo a falar, o depoimento do secretário seguiu na mesma linha. Franco admitiu sua participação ao entregar a Ubiratan a decisão de invadir o Pavilhão 9. Campos afirmou que sua ordem ao coronel Ubiratan foi “explícita”: “se for necessário, pode entrar”. Em depoimento de pouco mais de 30 minutos, ele disse que repetiria a decisão se ela precisasse ser tomada hoje: “a mesma situação, o mesmo procedimento.”

Em sua fala, o desembargador Ivo de Almeida, que cumpria função de juiz-corregedor em 1992, reforçou que a invasão se deu após o consentimento das autoridades, mas reconheceu que o caso alterou o modo de ação do Estado em casos de rebelião.

\"Enviamos o [Batalhão de] Choque, a Rota faz parte dele. Mas, Rota nunca mais\", disse ao júri. O juiz José Augusto Mazargão o questionou sobre sua experiência em rebeliões. \"Hoje temos duas realidades: antes e depois do Carandiru. Nada se aplica para hoje.\"

Em sua vez de falar, o desembargador Fernando Antônio Torres Garcia confirmou a necessidade de intervenção no complexo após tentativas frustradas de negociação. \"É evidente que a situação era crítica e que havia necessidade da polícia dominar. Mas daí resultar em 111 mortos? Não há nexo.\"

De acordo com ele, não houve maquiagem sobre o número de mortos. \"A apuração [sindicância realizada pela corregedoria] levou em conta tudo, até depoimentos fantasiosos [dos presos].\"

O segundo dia de julgamento terminou com a leitura de alguns volumes do processo para os jurados, que acompanhavam a leitura enquanto a advogada dos policiais, Ieda Ribeiro de Souza, retirava seus clientes do plenário.

Por meio de uma negociação com a promotoria, Ieda escolheu quatro réus para depor amanhã em nome dos 25 acusados. Depois dos depoimentos, defesa e acusação debaterão sobre as investigações e testemunhos. Em seguida, os jurados tomarão sua decisão.


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