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'Foi difícil acordar e não ver meu filho', diz mãe de menino soterrado

'Foi difícil acordar e não ver meu filho', diz mãe de menino soterrado

Atualizado: Sexta-feira, 8 Julho de 2011 as 2:45

Defesa Civil faz vistoria em casas atingidas por

deslizamento em SP (Foto: Letícia Macedo/G1)

  A mãe Yohan Hanna de Jesus, de 3 anos, morto após ser soterrado por um deslizamento de terra nesta quinta-feira (7), falou nesta sexta-feira (8), ao voltar ao local onde morava e onde seu filho morreu, da dificuldade de enfrentar o ocorrido. Além do menino, uma adolescente de 17 anos que estava grávida de cinco meses também morreu soterrada no Morro dos Macacos, em Cidade Ademar, Zona Sul de São Paulo.

“Foi muito difícil hoje acordar e não ver meu filho. Ele dormia comigo, todo mundo gostava dele, era muito especial”, afirmou Suzélia Jorge Hanna. Além do filho, Suzélia também perdeu grande parte de seus móveis e pertences – restou apenas parte de um guarda-roupa e algumas peças de vestuário. “Se meu filho estivesse vivo estava bom. Mas eu perdi tudo e perdi meu filho.”

O pai do menino, o mecânico Fernando de Jesus, buscava forças nesta manhã para resolver o enterro do filho, o caçula de cinco. Yohan fazia um lanche na cozinha da casa quando houve um deslizamento. “Ele era muito apegado com todos os outros irmãos, era uma criança muito esperta, muito apegada com a gente. É difícil a gente perder uma pessoa da família, que a gente tanto gosta”, afirmou.     Dez casas foram danificadas pelo deslizamento, e outras 24 permaneciam interditadas nesta sexta – 26 imóveis chegaram a ser interditados, mas foram liberados pela Defesa Civil ainda na quinta. Segundo o órgão, uma vistoria feita por geólogos mostrou que o terreno ainda está instável, por isso a necessidade de interdição.

Nesta manhã, muitos moradores se arriscaram e entraram na área ainda com possibilidade de deslizamentos para pegar seus pertences, sem monitoramento das autoridades. Depois, a Defesa Civil passou a monitorar o trabalho dos moradores, para evitar novos acidentes.

O local onde aconteceu o acidente é uma das 24 áreas de risco mapeadas pela Prefeitura na região. No Morro dos Macacos vivem pelo menos 2 mil pessoas. Mas os moradores já estavam preocupados com a obra de urbanização e contenção de encostas.

A maior parte das famílias já havia sido retirada, mas algumas insistiram em ficar no terreno. O planejamento da obra identificou a necessidade de remoção de 500 das 2 mil famílias que vivem no bairro. Deste total, 422 famílias foram retiradas até esta quinta-feira e estão recebendo auxílio-aluguel. Outras 78 permaneciam no local até momentos antes do acidente.

Investigação

O Ministério Público instaurou inquérito civil para apurar as causas do deslizamento de terra. O promotor de justiça de Habitação e Urbanismo de São Paulo, Mauricio Antonio Ribeiro Lopes, quer investigar se houve imperícia ou negligência na realização das obras, como a construção de muros de contenção com população ainda em área de risco não removida. Lopes determinou na portaria que em 15 dias a Subprefeitura de Cidade Ademar e a Secretaria Municipal de Habitação apresentem todas as informações sobre a obra e sobre a desocupação da área afetada.

Também pediu que o Instituto de Criminalística forneça laudo pericial sobre o acidente e que o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, forneça informações sobre qualquer estudo, parecer ou laudo que venha a ser produzido pela obra.        

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