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'Foi um desespero', conta jovem que estava com idosa que morreu afogada

'Foi um desespero', conta jovem que estava com idosa que morreu afogada

Atualizado: Segunda-feira, 28 Fevereiro de 2011 as 11:50

Ter escapado de um carro que era arrastado pela enxurrada durante o temporal que atingiu a Grande São Paulo neste domingo (27) não teve um final tão feliz para o representante comercial Wellington de Oliveira, de 23 anos. Ele estava no carro da também representante comercial Antônia Bernardo Ramos, de 62 anos, que não conseguiu se soltar e morreu afogada depois que o veículo foi levado pela correnteza até um córrego em Carapicuíba. Na manhã desta segunda-feira (28), no velório de Antônia, ele ainda se lamentava por não ter conseguido salvá-la.

“Eu tentei puxar, tirar ela de lá, mas não consegui, não deu certo”, afirmou o jovem. Os dois voltavam de uma reunião com um cliente, que foi cancelada por causa da chuva, quando foram surpreendidos pelo alagamento. “O motor parou, o carro começou a rodar, a água começou a puxar o carro. Tiramos o cinto [de segurança], foi um desespero. Na hora que bateu na ponte eu consegui abrir o vidro e saí. Pulei pela janela, caí e fui arrastado por debaixo da ponte.”     O representante comercial ainda tentou salvar a companheira de trabalho, mas não foi mais possível. Quando os dois estavam dentro do carro, Oliveira contou que ambos rezaram para que conseguissem se salvar. “Nós oramos e pedimos a Deus. Foi um desespero, mas não adiantou nada. Não consegui abrir a porta”, disse o rapaz.

O corpo da vítima foi encontrado a 300 metros do veículo, que chegou a entrar por uma tubulação e sair do outro lado. Os bombeiros tentaram reanimar, em vão, a vítima ainda no local. O carro foi parar no meio do córrego e ficou destruído, com vidros quebrados, lataria amassada e muito lixo. O veículo vai passar por uma perícia no Instituto de Criminalística.

O velório de Antônia aconteceu até por volta das 9h em Carapicuíba. Depois, o corpo foi levado para um cemitério de Jandira, onde ocorreu uma cerimônia entre familiares e amigos. O enterro deve ser realizado ainda na manhã desta segunda.

Família

Já aposentada, Antônia continuava trabalhando como representante comercial e tinha uma vida ativa. Ela era casada e deixou dois filhos e três netos. “Ela continuava trabalhando, era muito ativa. Fazia coisas para ajudar as pessoas. Dirigia, trabalhava, tinha uma vida normal”, contou o gerente comercial Antônio Nascimento, irmão da vítima.

Para ele, o caso é um exemplo da falta de estrutura das grandes metrópoles. “Foi uma fatalidade, mas também uma falta de infraestrutura do município. Não foi a primeira enchente nem vai ser a última”, disse Nascimento. Ele contou ter falado com a irmã sobre o assunto na última vez que estiveram juntos, um dia antes do acidente. “Nós conversamos inclusive sobre as enchentes que acontecem no estado, estávamos falando justamente que as pessoas morriam por falta de estrutura, e no dia seguinte aconteceu com ela.”    

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