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Força da água abre buraco em parede e derruba muros em Jundiaí

Força da água abre buraco em parede e derruba muros em Jundiaí

Atualizado: Quinta-feira, 6 Janeiro de 2011 as 4:16

A força da água que alagou cerca de 180 casas no Jardim Sorocabana, em Jundiaí, a 58 km de São Paulo, na madrugada desta quinta-feira (6) abriu um buraco na parede de um dos imóveis e derrubou diversos muros na região. Nesta tarde, dezenas de famílias ainda tentavam salvar alguns de seus pertences enquanto caminhões da prefeitura recolhiam móveis, eletrodomésticos, colchões e roupas que foram inutilizados pela água.

A enxurrada começou pouco antes da meia-noite de quarta-feira (5), quando muitas pessoas dormiam. É o caso do marceneiro Antônio Marcelino dos Santos, de 43 anos, da mulher dele, Marinalva Santos, de 39 anos, e dos seis filhos do casal, que vivem há 13 anos na área. Segundo eles, essa foi a terceira grande enchente enfrentada pela família – mas a primeira na qual a estrutura da casa, cujo quintal fica às margens de um terreno ao lado do rio, foi afetada.

“Quando começa a chover forte a gente tem que sair. Ouvi a chuva e vi o córrego subindo. A parede do meu quarto quebrou quando três dos meus meninos estavam lá pegando o computador”, contou o marceneiro. “Eles saíram chorando, gritando que a casa estava caindo. Um pedaço da parede foi parar na cozinha. Só conseguimos salvar parte das roupas, o computador e os documentos, que já ficam no alto”, explicou a dona de casa. A família havia comprado o computador há uma semana, por isso a urgência em salvá-lo.

No mesmo terreno do casal vivem outras famílias. Um muro que dividia duas das casas foi destruído, e pertences dos dois imóveis se misturaram na enxurrada. “Meu tanquinho e minhas cadeiras foram arrastados para a casa da vizinha”, contou a auxiliar de limpeza Raquel Santos da Silva, de 36 anos. Ela dormia na hora da chuva, e quando foi acordada a água já havia invadido o quintal. “Só salvamos os documentos, um pouco das roupas e as TVs, que colocamos sobre as beliches. A água cobriu as camas, o fogão.”

Mais prejuízos ainda teve a ajudante de cozinha Maria Betânia da Silva, de 38 anos, que estava trabalhando e só chegou em casa às 2h, quando a água começava a baixar. “Eu quase desmaiei ali na rua quando vi. Quando entrei, estava tudo cheio, as coisas boiando”, disse ela enquanto tentava recuperar parte das roupas lavando-as em um tanquinho emprestado por uma vizinha. “Perdi máquina de lavar, sofá, geladeira, colchão, cama, ficou tudo molhado”, afirmou ela nesta tarde, ainda sem dormir.

A chuva costuma alagar as casas na região todos os anos, mas nem sempre com essa intensidade. Por esse motivo, a auxiliar administrativa Juliana Bispo, de 27 anos, aguardava o horário deu ma reunião com a prefeitura. A casa onde os pais dela vivem com seus oito irmãos também foi alagada.

“Foi tudo muito rápido, um desespero só. A água veio por baixo e estourou os pisos”, afirmou. Segundo a jovem há cerca de dois anos algumas famílias foram retiradas do local, considerado área de risco. Quem ainda vive no Jardim Sorocabana cobra sua saída.

Em nota, a Prefeitura de Jundiaí informou que 178 moradias foram atingidas pela água no Jardim Sorocabana. A administração municipal auxiliava na limpeza das moradias nesta tarde e também iria disponibilizar cestas básicas, colchões e refeições. A prefeitura também irá analisar a necessidade de retirada das famílias.

Mortes

Quatro pessoas de uma mesma família morreram após um deslizamento de terra no Jardim São Camilo, também em Jundiaí, na noite de terça-feira (5). Um casal e duas meninas, de 10 e 5 anos, foram soterrados pela terra. Seis casas foram interditadas no local e as famílias removidas. Outras seis casas foram interditadas no Jardim Balsan - as famílias foram levadas para um abrigo montado na escola do bairro.

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