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'Fui atingida pelas costas, nem vi', diz professora agredida por aluno

'Fui atingida pelas costas, nem vi', diz professora agredida por aluno

Atualizado: Quarta-feira, 21 Setembro de 2011 as 12:11

A professora de 54 anos agredida por um aluno nesta segunda-feira (19) na Escola Estadual Euryclides de Jesus Zerbini, em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, disse que estava de costas quando foi atingida pelo aluno da 7ª série do ensino fundamental. “Fui atingida pelas costas, nem vi. A princípio, achei que ele tinha me empurrado, mas, segundo o relato dos alunos, ele veio com o pé nas minhas costas”, relatou nesta quarta (21) ao G1 a professora, que pediu para ser identificada apenas como Marlene. O caso aconteceu logo depois do início da aula. Segundo a professora, ela entrou na sala por volta das 8h40 e pediu silêncio. Ela percebeu que havia celulares tocando música e pediu para que os estudantes desligassem os aparelhos. Mas o jovem de 14 anos não obedeceu, segundo a professora. “Eu pedi três vezes e ele não se manifestou. Na quarta vez, eu me dirigi a ele e pedi, por favor, que ele desligasse. Ele me ignorou”, contou. Marlene afirma que pegou o aparelho e disse que os pais do aluno deveriam retirá-lo na secretaria da escola.     A professora relata que, quando se dirigia à porta da sala, sentiu o golpe nas costas. Ela bateu a cabeça em uma carteira antes de cair no chão. “Eu caí e os meninos da sala vieram me ajudar a levantar. Nem olhei para ele e logo me levaram até o posto de saúde”, lembra Marlene. Levada a um hospital, ela passou por exames, recebeu medicamentos e foi liberada.   Marlene retornou às aulas nesta quarta-feira (21), mas ainda não encontrou o estudante, que está suspenso por três dias. “É bastante constrangedor, principalmente pelos alunos, todos querendo saber como estou. É difícil, uma coisa que a gente não deseja para ninguém”, disse. Ela afirmou que ainda não conseguiu imaginar como será rever o jovem. “A gente tem que lidar com esse tipo de situação porque nós, como educadores, estamos aqui para indicar caminhos do bem.”

Ela dá aulas há 13 anos e diz nunca ter passado por situação semelhante. “Nunca passei por isso na minha vida, é uma coisa que a gente não espera”, contou. A família dela está preocupada com seu retorno à escola. “Eles ficaram revoltados, todo mundo fica com esse tipo de coisa, preocupados em ter que voltar à escola”, afirmou. A professora ainda não sabe se continuará a lecionar para a turma do adolescente. “Não sei o que vai acontecer.”

O caso foi registrado pela polícia como ato infracional, por envolver um adolescente. O Ministério Público vai pedir que o jovem compareça com um responsável em juízo para ser ouvido. A professora também prestará depoimento. Apenas depois disso será decidido se o jovem irá cumprir uma medida sócio-educativa ou será encaminhado para a Fundação Casa. A Secretaria de Estado da Educação disse que a escola prestou todo o atendimento necessário à professora.          

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