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"Fui eu", confessa homem acusado de jogar corpo da ex-mulher em canal

"Fui eu", confessa homem acusado de jogar corpo da ex-mulher em canal

Atualizado: Quarta-feira, 19 Maio de 2010 as 4:53

O homem apontado pela polícia como o assassino da ex-mulher, Íris Bezerra de Freitas, de 21 anos, confessou o crime na manhã desta quarta-feira (19) na Divisão de Homicídios (DH), na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio.

''Fui eu. Coloquei o corpo lá (no canal) e fui embora com medo'', disse Rafael da Silva Lima, ao ser apresentado à imprensa.

Íris foi encontrada morta dentro de uma mala no canal da  Visconde de Albuquerque, do Leblon, na Zona Sul do Rio de Janeiro.

Rafael da Silva Lima  foi preso no município de Vitória de Santo Antão, a quase 50 quilômetros de Recife (PE). Ele estava escondido na casa de parentes. Rafael desembarcou por volta das 20h15 de terça-feira (18) no Aeroporto Internacional Tom Jobim, no subúrbio do Rio, escoltado por policiais e levado para a DH.

De acordo com o delegado-titular da DH, Felipe Ettore, Rafael vai ser enquadrado pelo crime de homicídio triplamente qualificado: por motivo fútil, impossibilidade de defesa da vítima e ocultação de cadáver. A pena prevista é de 12 a 30 anos de prisão.

Segundo Ettore, o pai de Rafael foi quem forneceu à polícia o endereço de onde o suspeito estava escondido. ''O pai dele veio à delegacia e colaborou conosco'', contou o delegado. Segundo ele, os policiais da DH também contaram com a ajuda da polícia de Pernambuco.

Ciúmes foi o motivo do crime

Na Divisão de Homicídios, Rafael afirmou que matou a mulher porque ficou com ciúmes depois de flagrá-la com outro homem na Favela da Rocinha, na Zona Sul do Rio. Ele contou que está arrependido. ''Vou pagar pelo que fiz, pelo meu crime'', resignou-se. Em seguida, Rafael pediu desculpas à família de Íris. ''Foi um ato de fúria, de raiva. Peço desculpas a toda família dela, à mãe dela, que é uma pessoa que me tratou muito bem'', disse.

Segundo Rafael, antes do crime, o casal teria discutido e Íris teria debochado dele. Ele disse que não estava separado da mulher, e que os dois estariam apenas ''dando um tempo''. Rafael explicou que ficou temeroso e por isso escondeu o corpo na mala e deixou no canal. “Fiquei com medo. Estava com medo”, contou ele, que confessou ter agido sozinho, sem ajuda de ninguém.

Mãe da vítima não perdoa Rafael

Muito emocionada, Maria da Guia de Freitas, mãe de Íris, estava na DH. Ela contou que veio da Paraíba, onde mora, até o Rio porque queria olhar o rosto do assassino da sua filha e também pedir a guarda da neta, de 2 anos. ''Eu seria a mulher mais feliz do mundo se ele fizesse a minha filha feliz. Eu o deixei trazer minha filha com 18 anos para cá (Rio)'', desabafou a mãe da vítima assassinada.

''Eu vim pedir justiça. Quero ver esse monstro que matou a minha filha. Quero ficar cara a cara com ele'', disse, nervosa. Sobre o pedido de desculpas de Rafael, Maria da Guia disse que quem perdoa é Jesus Cristo. ''Eu não perdoo'', disse ela, chorando.

Imagens mostram suspeito no dia do crime

Imagens de câmeras de um prédio no Leblon mostram que, por volta das 6h30 de sábado (8), um homem caminha em direção à Avenida Visconde de Albuquerque, carregando uma mala preta. Horas depois, o corpo foi encontrado no canal, dentro de uma mala, a poucos metros da praia.

Íris Bezerra Freitas, que aparece em fotos com Rafael, foi morta a facadas. Segundo a polícia, os dois já não viviam mais juntos há um mês: ''Ele já estaria insatisfeito com esse rompimento, então planejou tudo e executou a vitima'', disse o delegado Felipe Ettore.

Atualmente Rafael estava sem emprego. Íris trabalhava como operadora de caixa numa loja em Ipanema, na Zona Sul do Rio. Colegas afirmam que o relacionamento dos dois não era bom: ''De uns tempos para cá, ela andava com medo, porque ele andava espiando ela. Ele roubou os documentos dela. Para a gente foi um baque'', contou uma amiga da vítima. Ainda de acordo com o delegado, um dia antes de o corpo ser encontrado, uma amiga havia registrado o desaparecimento da jovem na 14ª DP (Leblon).

Por Carolina Lauriano

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