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Fumantes reagem à proibição com bom humor e indignação

Fumantes reagem à proibição com bom humor e indignação

Atualizado: Sexta-feira, 7 Agosto de 2009 as 12

O trabalho de fiscalização das quatro duplas da Vigilância Sanitária que foram deslocadas para a Vila Madalena, tradicional bairro boêmio de São Paulo, para assegurar o cumprimento da lei antifumo que entrou em vigor à 0h desta sexta, começou com seis minutos de atraso. O público pareceu se dividir entre o bom humor e a indignação. "Pago imposto e tenho que passar frio para vir fumar na rua. É um absurdo", disse a cabeleireira Jucilene Cintra, 32 anos. Já a estudante Ana Cláudia Chigasi, 19 anos, brincava dentro do bar com seu cigarro apagado. "Daqui a pouco, vou ter que sair pra fumar no cantinho, enquanto isso, fumo o cigarro apagado", disse.

No bairro, o clima era de expectativa e apreensão nos minutos que antecederam à meia-noite. "Ah, eu to otimista, acho que vou vender mais do que nunca, porque eu nunca pude entrar nos bares, sabe. Mas agora os fumantes vem a mim", disse o vendedor ambulante de isqueiros Wilker Lincon, 25 anos, bastante assediado por fumantes e curiosos.

Um dos clientes do Posto 6, bar escolhido como ponto de encontro para o início da fiscalização, promoveu uma espécie de contagem regressiva em seu relógio de pulso, atraindo os flashes das câmeras da imprensa.

Sem muito alarde, o trabalho dos fiscais consistiu em entrar no bar, observar os clientes e, constatando a ausência de qualquer cigarro aceso, ir embora. "Só quando um cliente nos aborda é que entregamos um panfleto que explica a lei. Não queremos constranger as pessoas nos bares", disse a técnica da Vigilância Sanitária Virgínia Oliveira.

Segundo fiscais acompanhados pela reportagem, nos primeiros 40 minutos nenhum estabelecimento teria sido multado. A Secretaria da Saúde, contudo, ainda não forneceu balanços parciais das blitzes.

O bom senso é uma das ferramentas utilizadas pelas equipes de fiscalização. "Tem que ter um mínino de discernimento, tem pessoas querendo provocar a gente, acendendo um cigarro deliberadamente. E eu não vou punir o dono do bar por causa disso", disse o técnico Roberto Gramani, que compõe uma das quatro equipes que fiscalizam a Vila Madalena.

Fumando na porta do Filial, bar que fica na rua Fidalga, a advogada Simone Haidamus, 41 anos, previu problemas domésticos. "Tenho certeza que amanhã meu filho vai ligar pra polícia falando que eu estou fumando dentro de casa", disse ela, torcendo o nariz. Simone estava no time das indignadas. "Acabou a nossa liberdade. Quero só minha liberdade de volta, é pedir demais?"

A fiscalização ocorreu até as 3h da manhã e não foram divulgados dados sobre estabelecimentos multados. O governo de São Paulo deve divulgar um balanço sobre o primeiro dia de fiscalização na manhã desta sexta-feira. Em todo o Estado, 500 agentes do Procon e da Vigilância Sanitária trabalharam na ação.

A lei antifumo determina o fim dos fumódromos e prevê multa e até suspensão das atividades, no caso de reincidência, para o proprietário do estabelecimento onde a lei não for respeitada. Fica proibido também o fumo em mesas de bares e restaurantes na calçada, quando são cobertas por toldos. Além disso, também não é permitido fumar em casas de espetáculo, ambientes de trabalho, estudo, culto religioso, lazer, esporte e entretenimento, bibliotecas, espaços de exposições, veículos de transporte coletivo, táxis e nas áreas comuns de condomínios.

Ainda será permitido fumar em estádios de futebol, tabacarias e cultos religiosos, quando o tabaco faz parte da cerimônia. Os quartos de hotéis e motéis ficarão livres da fiscalização.

Postado por: Felipe

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