Funcionários de creche trabalham há quatro meses sem receber salário

Funcionários de creche trabalham há quatro meses sem receber salário

Atualizado: Quarta-feira, 18 Maio de 2011 as 3:40

  A creche Santa Fé foi reinaugurada no mês passado. A estrutura está nova e passou por uma reforma, doação de um pecuarista. "A creche é bonita mas continua pobre, porque temos necessidade de alimentação para as crianças mas não temos dinheiro suficiente para tudo isso", declara a presidente Olivia Garcia Rezende.

A instituição vinculada a uma entidade católica não tem fins lucrativos e atende 130 crianças, dos quatro meses aos três anos de idade. O critério de seleção das crianças é feito de acordo com a renda familiar dos pais. A verba repassada pela Secretaria Municipal de Educação é de cerca de R$ 260 mil por ano, em dez parcelas. O dinheiro é usado no pagamento dos 23 funcionários.

Do repasse do governo, nada pode ser usado para a alimentação. É nesse ponto que a creche mais precisa de ajuda. A maior dificuldade é garantir as cinco refeições diárias para cada criança. E a maior carência do cardápio é de fruta, mas faltam também óleo, arroz, feijão e açúcar.

O local já existe há 37 anos, e desde o início vive de doações. Berços, camas, cadeirinhas, tudo vem da ajuda da sociedade. Quem trabalha por aqui, também doa: carinho, amor. "Sempre que as professoras precisam eu estou auxiliando elas aqui. É muito gratificante", conta o auxiliar administrativo da creche Nivaldo César.

Rosângela Balta toma conta da maternidade. Quando chega no fim do dia, e os bebês vão embora para casa, "o coração fica apertado esperando o outro dia chegar para a gente estar com eles de novo", conta.

Funcionários sem salário

Já na creche do Flamingo a situação é ainda mais crítica. São poucas as salas que estão em condições de uso. É possível perceber o mofo nas paredes. A cozinha está praticamente vazia. Falta alimento e estrutura para garantir maior qualidade de vida às crianças. Também falta dinheiro. "Nossa instituição já tem 20 anos de funcionamento, precisamos de apoio e parceria da comunidade e de muitos donativos", explica a diretora Mariene Auxiliadora da Silva.

A creche atende 80 crianças. A sede fica em uma área residencial de Campo Grande e funciona como um comodato: atende 80% da população da redondeza e 20% de crianças do condomínio. O valor da verba repassada pelo governo é de R$ 14 mil ao mês. Os gastos mensais chegam a quase R$ 20 mil.

O último repasse do governo federal em convênio com a Secretaria Municipal de Educação foi em março. O dinheiro foi usado para pagar as férias dos funcionários. Agora a verba está suspensa, porque a entidade tem uma dívida de R$ 6 mil de encargos sociais. Se a dívida não for quiatada, o dinheiro não é liberado. Os funcionários já estão há quatro meses sem salário. "Eu venho é pelas crianças mesmo, porque sei que elas são o futuro, e peço que a sociedade ajude, faça uma doação para conseguirmos manter a creche", diz a professora Isamar Pedroso Ribeiro.

Preocupação também para os pais, que de perto vivenciam as dificuldades. "Enquanto a gente não conseguir organizar toda a parte trabalhista e fiscal da entidade, a gente não vai conseguir receber essa verba", relata a contadora Elaine Castilho.        

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