Funcionários driblam órgão fiscalizador e sacam mais que o permitido no cartão corporativo

Funcionários driblam órgão fiscalizador e sacam mais que o permitido no cartão corporativo

Atualizado: Segunda-feira, 16 Novembro de 2009 as 12

Apesar das recomendações da CGU (Controladoria-Geral da União) para que os funcionários que têm o cartão de crédito corporativo só fizessem saques em situações excepcionais, eles continuam pegando dinheiro vivo no caixa além do limite permitido. Ranking do R7 com os dez funcionários que mais gastaram com o cartão este ano mostra que três já estouraram os 30% do valor autorizado para saques do total de gastos de cada órgão. Juntos, os funcionários do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) do Mato Grosso e Amazonas, por exemplo, pegaram R$ 113.210 em dinheiro entre janeiro e outubro deste ano.

Durante este período, o funcionário do IBGE do Amazonas sacou dinheiro toda semana em valores que totalizaram R$ 52.900. Ele movimentou em espécie 100% do fundo para emergências, e não os 30% recomendados pela controladoria. Procurado pelo R7, o chefe da unidade do IBGE no Amazonas justificou os saques afirmando que o servidor trabalhou no interior do Estado em uma pesquisa de orçamento familiar e precisou alugar pequenas embarcações que eram pagas em dinheiro.

''No interior do Estado há necessidade de se contratar o uso de voadeiras [canoa de alumínio com motor de popa], pequenas embarcações, pois o Amazonas praticamente não tem estradas. Essas contratações de voadeiras são efetuadas mediante pagamento em dinheiro''.

Mas no IBGE do Mato Grosso, que tem dois funcionários na lista dos dez que mais gastaram, até o chefe da unidade admitiu que há concentração de recursos nas mãos de poucos funcionários. Delvado Benito de Souza mostrou-se surpreso quando o R7 informou que dois de seus subordinados da sede do instituto já tinham ultrapassado os R$ 70 mil em gastos este ano e sacado mais que o permitido.

Somadas as faturas de janeiro a outubro dos dois funcionários, as cifras alcançam o montante de R$ 152.744. Um dos funcionários apresenta gastos totais de R$ 76.013 e fez saques que totalizaram R$ 32.850 e o segundo gastou R$ 76.482 dos quais R$ 27.460 em dinheiro, superando o teto de 30% de saques.

De acordo com o chefe da unidade, aproximadamente 30 servidores têm cartão corporativo e a forma de pagamento é usada para aquisição de passagens, pagamentos a pessoas físicas e aquisição de material de uso urgente que não podem esperar licitação.

''Realmente fica parecendo que há uma centralização alta em dois funcionários''.

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