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Garis fazem escalada e rapel para retirar lixo nos morros do Rio

Garis fazem escalada e rapel para retirar lixo nos morros do Rio

Atualizado: Quarta-feira, 20 Outubro de 2010 as 10:29

Enfrentar paredões de 40 metros, escalar morros e subir o Corcovado, é sinônimo de trabalho árduo para um grupo de 20 garis do Rio. Para retirar o lixo das encostas, os garis alpinistas encaram o friozinho na barriga e descarregam a adrenalina para manter a conservação do ambiente.   Gilson Nogueira, gerente de operações especiais da Comlurb, companhia de lixo do Rio, explica que a ideia surgiu por necessidade. Segundo ele, em muitos morros ocupados por favelas, o acúmulo de lixo crescia anualmente e para evitar deslizamentos foi montado um grupo especializado em retirar detritos e dejetos das encostas.

Treinamento com bombeiros

Escolher os corajosos garis não foi tarefa fácil. De acordo com o gerente, os funcionários com aptidão para encarar grandes altitudes foram selecionados para um treinamento em conjunto com o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil.

Os garis munidos de sapato especial, cintos e cordas treinam todas as semanas em um muro de escalada na sede da companhia, em São Cristóvão, na Zona Norte do Rio. Segundo a Comlurb, desde o surgimento do grupo, há 11 anos, já foram retiradas mais de 300 toneladas de lixo dos morros.

Rapel e escalada nos morros cariocas

O gari Genilson Ferreira de Souza, de 35 anos, foi um dos eleitos. Há sete anos, ele faz rapel e escalada nos principais morros cariocas. Ele diz que tem um truque para não se assustar com a altura. “Eu nunca olho pra baixo, nem uma olhadinha mesmo, se não fico com medo”, diz o gari.

“Eu consigo nesse trabalho unir o útil ao agradável. Tem pessoas que me chamam de maluco, mas eu não me importo. Vale a pena subir 35 metros e retirar todo o lixo. Depois os moradores agradecem, acho que eles percebem o nosso esforço”, comenta Genilson.

Clube do Bolinha

Desde o início do grupo, nenhuma mulher ainda enfrentou as ribanceiras e costões. Mas, o gerente Gilson Nogueira garante que há espaço para a ala feminina.

“Até agora nenhuma mulher se candidatou a entrar no grupo de alpinistas. Mas há lugar para elas. Além da força física, é necessário ter equilíbrio, concentração e muita coragem”, define o gerente da Comlurb.    

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