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Gastos com campanhas de candidatos à Câmara somam R$ 908,2 milhões

Gastos com campanhas de candidatos à Câmara somam R$ 908,2 milhões

Atualizado: Sexta-feira, 10 Dezembro de 2010 as 11:30

Nas eleições deste ano, os 4.658 candidatos às 513 cadeiras da Câmara dos Deputados gastaram, no total, R$ 908,2 milhões com suas campanhas. O dado é do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e não inclui as despesas de comitês financeiros e partidos políticos. Isso significa que, em média, cada postulante consumiu cerca de R$ 194 mil do próprio bolso ou de doadores privados para concorrer ao cargo de deputado federal.

O valor é ainda maior quando se trata dos gastos dos candidatos eleitos. É o que afirma o deputado reeleito Chico Alencar (Psol-RJ). Segundo ele, o gasto médio dos postulantes bem-sucedidos no seu estado superou R$ 1 milhão. A cifra também é citada pelo deputado Roberto Magalhães (DEM-PE). Para ele, esse é o valor mínimo a ser despendido por um candidato que queira ganhar as eleições na maioria dos estados brasileiros.

Em uma campanha, todo esse dinheiro é transformado na produção de programas de rádio e TV, em anúncios de jornais e na manutenção de comitês, na impressão de cartazes, folderes e cavaletes, entre tantos instrumentos que servem para tornar o candidato conhecido e divulgar suas ideias. O problema é que, segundo o especialista em sistemas eleitorais Antonio Lavareda, as cifras necessárias para eleger um candidato vêm aumentando e atingindo “proporções cada vez mais inviáveis para os postulantes”.

Uma das hipóteses é a de que a fiscalização cada vez mais efetiva pela Justiça Eleitoral das contas dos postulantes venha gerando declarações de receitas e despesas mais reais. Ou seja, pode-se suspeitar que a prática do “caixa dois” venha diminuindo ao longo dos anos e que, portanto, as despesas “oficiais” tendam a aumentar. Mas, para Lavareda, as campanhas estão sim mais caras: “É óbvio que, à medida que há efetiva fiscalização dos gastos de campanhas, as declarações dos candidatos se aproximam à realidade, mas independentemente disso há sim um gasto maior”.

Segundo Lavareda, são duas as principais causas para esse aumento: a evolução das tecnologias de campanha e o fracionamento partidário. No primeiro fator, o especialista inclui a necessidade de os postulantes se adequarem aos novos veículos de comunicação para se aproximarem do eleitor, o que significa a contratação de serviços de sítios, blogs, microblogs etc. Já o fracionamento partidário, segundo Lavareda, estimula o aumento no número de postulantes ao cargo de deputado federal – o que, ao final da conta, eleva os custos agregados das campanhas.

Risco

O risco dos custos crescentes, de acordo com Chico Alencar, é a inviabilidade de candidaturas “de quem não tenha altos aportes financeiros ou que não se vincule a grandes empresas”. Alencar, eleito pela terceira vez ao cargo de deputado federal em outubro deste ano, declarou à Justiça Eleitoral que gastou R$ 181 mil em sua campanha. Apesar de o valor, segundo o próprio deputado, ser muito menor que a média de gastos dos candidatos eleitos no Rio de Janeiro, Alencar admite que os custos aumentam a cada campanha. “Parece uma bola de neve”, espanta-se.

Para o deputado Roberto Magalhães, já no quarto mandato, a bola de neve parou de crescer. Isso porque o político, que foi governador de Pernambuco e prefeito do Recife, decidiu não concorrer à Câmara neste ano. Um dos motivos apontados é o alto custo das campanhas. “Está-se tornando proibitiva a campanha para deputado federal para os candidatos de classe média. Eles só têm chance se tiverem grandes financiadores ou se exercerem cargos públicos nos quais façam muitas obras, muitas políticas pelas quais se tornem reconhecidos”, lamentou.

Antonio Lavareda já vê efeitos do custo crescente das campanhas no perfil dos integrantes da Câmara. Grande parte deles, segundo o cientista político, “ou são empresários ou estão ligados a corporações poderosas, também do ponto de vista financeiro, como os evangélicos”. Um levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) mostra que os deputados empresários chegarão a 169 na próxima legislatura Espaço de tempo durante o qual os legisladores exercem seu poder. No Brasil, a duração da legislatura é de quatro anos. , o maior número já registrado. Ainda segundo o Diap, a bancada evangélica contará com 63 deputados, 20 a mais que os atuais.

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