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Gaúchos querem transformar chimarrão em patrimônio imaterial

Gaúchos querem transformar chimarrão em patrimônio imaterial

Atualizado: Terça-feira, 5 Maio de 2009 as 12

Um projeto da Casa de Cultura do município de Venâncio Aires (RS), em fase final de pesquisa, deve ser encaminhado até o fim do semestre ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para transformar o chimarrão em patrimônio imaterial.

O projeto "Patrimônio Imaterial do Chimarrão: o Chá da Amizade", é desenvolvido pela organização não-governamental (ONG) Núcleo Cultural de Venâncio Aires, presidida pelo médico Flávio Luiz Seibt. Segundo ele, embora a bebida seja "o maior símbolo da cultura gaúcha, o projeto deverá preservar a evolução histórica do chimarrão".

Seibt conta que, para submeter o pedido ao Iphan, a equipe responsável pelo projeto realizou extensa pesquisa para resgatar as origens históricas do chimarrão e a evolução tecnológica do cultivo e preparo da bebida. "O hábito que começou com os índios, e que era visto pelos colonizadores europeus como algo nocivo, foi incorporado ao cotidiano e passou por um verdadeiro processo de industrialização", diz o médico.

De acordo com Seibt, a intenção é difundir a cultura do chimarrão principalmente entre crianças e jovens. "Queremos que eles aprendam não só sobre a história da bebida, mas também como prepará-la. A ideia é que eles, em vez de escolherem o álcool ou as drogas, aprendam o valor do chimarrão."

Registro

Segundo o Iphan, a Unesco define como patrimônio cultural imaterial "as práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas - junto com os instrumentos, objetos, artefatos e lugares culturais que lhes são associados - que as comunidades, os grupos e, em alguns casos, os indivíduos reconhecem como parte integrante de seu patrimônio cultural."

Atualmente a Região Sul não tem bens imateriais registrados. Dentre os 15 bens registrados, estão o Samba de Roda do Recôncavo Baiano, o Ofício das Baianas de Acarajé, o Frevo e a Roda de Capoeira e Ofício dos Mestres de Capoeira. Estas informações podem ser consultadas no site do Iphan.

Segundo Seibt, o projeto prevê a criação de DVD, CD, folhetos e um livro contando a história do chimarrão. "Queremos que as escolas de cada município do estado tenha alguns exemplares para que as crianças conheçam melhor o nosso maior símbolo", diz.

O projeto de registro do chimarrão como patrimônio imaterial conta com patrocínio da Petrobras Cultural, pela lei Rouanet.

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