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Golpe do DPVAT: Polícia pede prisão temporária de 5 em Juiz de Fora

Golpe do DPVAT: Polícia pede prisão temporária de 5 em Juiz de Fora

Atualizado: Quarta-feira, 26 Janeiro de 2011 as 8:51

A Polícia Civil de Juiz de Fora desmantelou um esquema que aplicava golpes no pagamento de indenização do Danos Pessoais causados por Veículos Automotores de Via Terrestre (DPVAT). Três pessoas foram presas.

A base da quadrilha funcionava em um escritório no Centro de Juiz de Fora. A Assistência a Famílias Vítimas de Acidente de Trânsito (AFAVAT) é uma firma de advogados que entram na justiça em nome de vítimas de trânsito para pedir o seguro obrigatório.

O DPVAT indeniza essas vítimas por morte, invalidez permanente ou por despesas médico-hospitalares. Segundo a Polícia Civil, os advogados recebiam o seguro e não repassavam às vítimas.

“Eles davam entrada com o seguro DPVAT das vítimas, recebiam o dinheiro através de alvará judicial e cheques nominais às vítimas e, em alguns casos, nós não sabemos quantos até agora, eles não repassavam o dinheiro. Eles depositavam o dinheiro na conta particular ou na conta da empresa”, explica o delegado Rodolfo Rolli.

A denúncia foi feita pelo jornal Tribuna de Minas. Um dos advogados tentou receber um seguro por invalidez no valor de R$20 mil em nome de um homem morto. Uma parente do chapa de caminhão, Carlos Henrique Bolpato, que não quis se identificar, conta que ele ficou inválido depois de um acidente e recebeu quase R$6 mil do seguro obrigatório. Três meses depois, em junho de 2009, Carlos Henrique morreu do coração, como apresenta o atestado de óbito.

O advogado entrou na justiça pedindo uma complementação do seguro por invalidez, como se Carlos Henrique ainda estivesse vivo. No ano passado, a parente da vítima recebeu a visita de um oficial de justiça para fazer uma perícia médica. “Disse ao oficial que o Carlos já havia morrido e que nunca soube que houvesse um novo pedido de indenização na justiça”, explica a parente. Depois da descoberta, a justiça extinguiu o processo.

Outros estados A Polícia Civil pediu a prisão temporária de cinco pessoas. Dois advogados e dono do escritório - que tem uma funerária no estado do Rio de Janeiro - já estão presos em Juiz de Fora. Agora, a polícia vai investigar as milhares de ações de seguro obrigatório, apreendidas na AFAVAT.

“É um golpe nacional porque o escritório agia não só em Juiz de Fora, mas nas cidades vizinhas, em diversas comarcas de Minas Gerais, além dos estados de São Paulo, em Fortaleza, na Bahia, e, Salovo Engano, no Rio de Janeiro”, afirma o delegado.

O delegado suspeita, ainda, do envolvimento de policiais civis no esquema. Uma escrivã de Juiz de Fora já foi afastada acusada de autenticar laudos do Instituto Médico Legal (IML) e documentos médicos do Sistema Único de Saúde (SUS) para a quadrilha. De acordo com Rodolfo Rolli, ela pode ser exonerada. Já os advogados envolvidos podem responder por formação de quadrilha, apropriação indébita, estelionato, falsificação de documento público e particular.    

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