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Golpistas vendem carcaças de computadores com pedras em SP

Golpistas vendem carcaças de computadores com pedras em SP

Atualizado: Terça-feira, 7 Dezembro de 2010 as 4:34

Um novo golpe está sendo praticado no Centro de São Paulo. Reportagem do SPTV desta terça-feira (7) mostra que golpistas vendem computadores e games baratos sem nota fiscal. Dentro das carcaças dos aparelhos eletrônicos há apenas pedra, terra e areia. Outros itens são oferecidos pelos golpistas, como máquinas fotográficas e jogos.

Um computador, que custa entre R$ 1,5 mil e R$ 3 mil, é oferecido por R$ 500. O videogame de R$ 800 é vendido por R$ 100. As vendas são feitas no meio da rua, sem qualquer fiscalização.

Com uma microcâmera, o repórter cinematográfico do SPTV fez imagens de flagrantes. Um homem de camisa listrada segura uma sacola com um computador portátil dentro. Ele oferece o notebook para as pessoas que passam pela esquina das ruas Florêncio de Abreu e Boa Vista. Um possível comprador para, mas decide ir embora. O golpista conversa com o produtor e faz a oferta. “É novo, com webcam, compartimento de memória. Na loja está R$ 1, 5 mil. Faço por R$ 500 pra você.”

Desde novembro, a polícia prendeu 21 golpistas e 14 tinham antecedentes criminais. “Quando chegam na delegacia, o advogado já chega junto. Então ele já tem uma defesa técnica e acabam se beneficiando. A gente teve casos que foram presos, dez dias tava na rua aplicando de novo, foram presos duas vezes”, explica o delegado seccional de polícia, Aldo Galeano.

Vítima

Alan Dias do Nascimento tem uma oficina de motos em Suzano, na Grande São Paulo, e vem sempre ao Centro da capital, para comprar peças. Uma vez, comprou um game de um desconhecido, no meio da rua, por R$ 100, mais um celular usado. Ele não desconfiou do golpe. “Eu estava distraído, nem prestei atenção. Eu estava querendo comprar um videogame também. Vi que a mercadoria estava boa e os policiais chegaram dando voz de prisão para o homem. Ele era um estelionatário.”

O videogame tinha areia dentro. A vítima recebeu de volta o celular e o dinheiro. Além deste flagrante, a polícia fez outras dez abordagens semelhantes em pouco mais de um mês. Os estelionatários agem na Rua Santa Ifigênia, na região da Rua 25 de Março e na Rua São Bento. Já foram registrados diversos boletins de ocorrência no 1º Distrito Policial, do Centro.

A orientação é que o comprador exija sempre a nota fiscal. Comprando dentro da lei, o cliente pode solicitar a troca, devolução e garantia. A polícia diz que a solução definitiva para o golpe está nas mãos do consumidor. “O grande segredo da queda desse delito é o próprio consumidor. Às vezes ele quer levar vantagem comprando um aparelho que custa R$ 3 mil por R$ 300. Então isso acaba favorecendo a prática delituosa. Tem muito produto bom, mas não na rua, sem garantia, sem nota fiscal”, orienta Iarton Vazelle Filho, capitão da PM.

Crime

O golpista com camisa listrada mostrado na reportagem não foi preso. A polícia explica que, para fazer o flagrante, precisa do produto e da vítima. O mais difícil é encontrar alguém que registre o caso e se disponha a reconhecer o bandido.

Caso a vítima faça isso, como manda a lei, é mais fácil a polícia prender e a Justiça manter preso o golpista. O estelionatário pode ficar preso de um a cinco anos.    

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