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Governo proíbe uso de bomba moral e bala de borracha na Cracolândia

Governo proíbe uso de bomba moral e bala de borracha

Atualizado: Quarta-feira, 11 Janeiro de 2012 as 3:33

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, confirmou na manhã desta quarta-feira (11) a proibição do uso de balas de borracha e bombas de efeito moral pelos policiais militares que atuam na Ação Integrada Centro Legal, na região da Cracolândia, no Centro de São Paulo. Nesta terça-feira (10), o governo dobrou o número de policiais que atuam na região. A operação começou no dia 3 de janeiro. Segundo Alckmin a medida foi tomada por precaução.


“São medidas de prudência, de cautela, a polícia é provocada também, 24 horas, e ela tem que ter treinamento, competência para poder trabalhar todas essas questões”, afirmou ele nesta manhã. “Nós temos que trabalhar pela questão social, saúde e segurança. Você tem que fazer abordagem, você não pode permitir o tráfico, tem que prender criminoso, fugitivo, pessoas violentas, traficantes. Esse é o dever da polícia. E a polícia está preparada e vai ficar na região.”

O governador falou sobre a ação na Cracolândia durante cerimônia que firmou uma parceria entre o governo e a Prefeitura de Francisco Morato, na Grande São Paulo, para obras de infraestrutura urbana. Questionado sobre a instauração de um inquérito civil pelo Ministério Público para investigar a ação no Centro da capital paulista, Alckmin não respondeu diretamente, mas afirmou que não houve adiantamento no início da operação – um dos questionamentos da Promotoria.


“Não foi adiantada, ela foi atrasada, porque é inadmissível você ter uma Cracolândia daquele tamanho, daquelas proporções, pessoas doentes, algumas doentes graves, moças grávidas, estupro, crime, tráfico de drogas. Uma série de problemas gravíssimos, tanto de ordem policial quanto social quanto saúde. É um dever dos governos agir”, disse o governador.
De acordo com os promotores, não houve desde 2009, quando um inquérito civil já havia sido instaurado pelo MP para acompanhar as ações assistenciais desenvolvidas por ocasião do Projeto Nova Luz, da Prefeitura, nada que justificasse uma operação desse tipo na região.


“Essa operação põe por terra todo esse projeto, que prevê programas sócio-assistenciais e de saúde, que vinha sendo gestado. O Ministério Público não concorda com essa operação porque o tráfico é uma questão de polícia, mas dependência química, não”, disse o promotor Eduardo Valério, de Justiça de Direitos Humanos - Inclusão Social.
Alckmin afirmou que o governo está atuando na questão da saúde – “Nós não vamos abandonar ninguém. Nós acreditamos na recuperação, vamos trabalhar firme nisso”, disse o governador – e que também irá ampliar o número de vagas para recuperação de dependentes químicos em Guaratinguetá, no interior do estado, e criar dois novos centros em Iguape e Piraju.


“A polícia não vai sair da região, o governo vai ficar, e temos tido uma boa participação da Prefeitura, da parte social, de saúde da Prefeitura, e toda cooperação é bem vinda. Se o Ministério Público quiser ajudar, é muito bem vindo. Essa é uma responsabilidade que é de todos. O governo de São Paulo não vai se omitir. Nós temos consciência de que é um trabalho demorado, difícil, mas nós não vamos abandonar essas pessoas”, disse Alckmin.


Segundo o Ministério Público, o objetivo da instauração do inquérito é tentar entender, depois de ouvir as pessoas envolvidas, a lógica da operação da PM e, a partir daí, “instar o poder público a instalar os programas públicos baseados na assistência social e na saúde” e, se for o caso, ao término do inquérito, pedir o fim da operação.

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