MENU

Greve de ônibus entra no 2º dia em BH

Greve de ônibus entra no 2º dia em BH

Atualizado: Terça-feira, 13 Março de 2012 as 9:12

A greve dos trabalhadores do transporte rodoviário de Belo Horizonte (MG) entrou no 2º dia nesta terça-feira (13), com previsão de mais um dia de transtornos para quem depende do transporte coletivo da capital mineira e região metropolitana. Segundo informação preliminar do sindicato dos trabalhadores, apenas 30% da frota de ônibus circula nas vias da cidade. 

O trânsito também deve ficar complicado por conta do excesso de carros nas ruas.

Em campanha salarial, os trabalhadores da categoria cruzaram os braços desde a zero hora da segunda-feira (12). 

O sindicato que representa os donos da empresas de ônibus ajuizou na tarde de ontem no Tribunal Regional do Trabalho dissídio coletivo de greve, em caráter de urgência, para que o órgão se manifeste sobre o assunto e haja designação de audiência entre os envolvidos. 

Há previsão de uma reunião na manhã desta terça-feira (13) entre os sindicatos patronal e dos empregados na  Superintendência Regional do Trabalho, órgão do  Ministério do Trabalho, no centro da cidade.

De acordo com a BHTrans, que administra o trânsito da cidade, no 1º dia da paralisação, as estações de ônibus mais afetadas pela greve foram as Diamante (98% de paralisação), Barreiro (96%) e Vilarinho (95%). Elas ficam em regiões densamente povoadas na capital mineira.

Por conta disso, o metrô da cidade transportou 11 mil pessoas a mais do que a média registrada na semana anterior.

A Polícia Militar mineira deslocou efetivo para as estações e as portas das garagens, com intuito de garantir o trabalho de quem não aderiu à greve. Segundo a corporação, duas pessoas foram presas ontem acusadas de terem roubado chaves de ônibus, além de outra que teria apedrejado um coletivos nas ruas.

Escala mínima

A BHTrans disse que notificou as empresas de ônibus para que mantenham a escala mínima (30%) de funcionamento do sistema público de transporte na capital mineira e implementem "esquemas de atendimento emergencial à população”.

Segundo a empresa, a escala mínima é uma obrigação contratual das empresas concessionarias que exploram o transporte público na cidade.

Prejuízo no comércio

A Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte afirmou que o prejuízo de lojistas e comerciantes da capital mineira deverá ultrapassar R$ 15 milhões com a paralisação do transporte coletivo.

Segundo o presidente da entidade, Bruno Falci, muitos comerciantes não puderam abrir as portas por conta da ausência de funcionários. De acordo com ele, o comércio da cidade deixou de faturar 25% do faturamento diário, que gira em torno de R$ 61 milhões.

Ainda conforme o dirigente, lojistas não podem descontar as faltas nem cortar benefícios dos funcionários em razão de ausência provocada pela greve de ônibus.

Entenda a greve

A greve se estendeu para outros municípios da região metropolitana da capital, como Betim, Brumadinho e Lagoa Santa, e pode prejudicar os passageiros ainda por um bom tempo devido a um impasse entre trabalhadores e patrões.

O Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Belo Horizonte (STTRBH) diz que não aceita a proposta oferecida pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (Setra-BH) e que não recebeu novas propostas de negociação, enquanto a entidade patronal afirma que já recorreu à Justiça para tentar suspender a greve.

Os rodoviários reivindicam 49% de reajuste nos salários, tíquete-alimentação de R$ 15, a instalação de banheiros femininos nos pontos finais e participação nos lucros e resultados (PLR). O Setra-BH, porém, ofereceram reajuste de 13% no salário dos motoristas e trocadores, com aumento de 20 minutos diários na jornada de trabalho, e de 9% para a manutenção e administração, ou aumento de 6% sem alteração na jornada, além de abono de R$ 150 na participação dos lucros (para quem ganha até R$ 1.000), e R$ 300 para quem recebe acima desse valor.

Apenas na capital, uma média de 1,6 milhão de pessoas usam os ônibus diariamente, número que sobe para cerca de 2,1 milhões com passageiros da região metropolitana. Em Belo Horizonte, a frota é composta por 3.010 ônib us que fazem 27.567 viagens diárias, distribuídas por 296 linhas.

veja também