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Grupo acampado há 10 dias no Centro de SP tem horta e comida vegetaria

Grupo acampado há 10 dias no Centro de SP tem horta e comida vegetaria

Atualizado: Terça-feira, 25 Outubro de 2011 as 3:51

Luciana Bonadio Do G1 SP

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Barracas montadas sob o Viaduto do Chá, no Centro de SP (Foto: Luciana Bonadio/G1)

Horta e biblioteca usadas pelos participantes

de movimento (Foto: Luciana Bonadio/G1) O grupo que está acampado desde o dia 15 de outubro sob o Viaduto do Chá, no Centro de São Paulo, é formado por jornalistas, estudantes, representantes de movimentos sociais, artistas de circo e moradores de rua. Cerca de 150 pessoas se revezam nas barracas montadas no Vale do Anhangabaú, segundo os participantes. Para suprir as necessidades de tantas pessoas diferentes, há uma horta, uma biblioteca, um espaço para a projeção de vídeos e, no cardápio, até comida vegetariana.

O jornalista Alexandre Facciolla, de 24 anos, conta que não há uma liderança no acampamento e que todas as decisões são tomadas por consenso. “São várias lutas que estão aqui, mas há uma pauta comum, que é a democracia real, participativa. Isso aqui é um laboratório, a gente quer mostrar que dá certo, tanto no discurso quanto na prática”, afirma. Cerca de 50 barracas foram montadas no local.     Os participantes protestam, por exemplo, contra a construção da usina de Belo Monte e o novo Código Florestal e pedem a aprovação de um projeto de lei que criminaliza a homofobia, entre outras reivindicações. Eles ainda não definiram uma data para deixar o Vale do Anhangabaú e discutem detalhes sobre a permanência durante uma assembleia realizada todos os dias, no início da noite.

Mantimentos chegam por doação, segundo

participantes (Foto: Luciana Bonadio/G1) A atriz Fernanda Magnani, de 29 anos, participa do acampamento. “Eu vim no dia 15 porque sou voluntária de todos os manifestos contra a usina de Belo Monte”, contou ela, que mora no Centro de São Paulo e leva as roupas de alguns manifestantes para lavar em casa. Fernanda cuida também de uma horta feita em um canteiro do Anhangabaú. Ela contou que a vizinhança colabora com o movimento, deixando que os acampados usem os banheiros de comércios da região.

O artista plástico Nei, de 35 anos, que preferiu não dizer o nome completo, é um dos responsáveis pela comida. “Eu gosto de cozinhar e vi que poderia contribuir”, diz. Mantimentos como macarrão, arroz e farinha chegam por doação. “Tem um público vegetariano e precisa contemplar todos. Por isso, faço saladas, legumes refogados, arroz e bolo. Ontem [segunda-feira], fiz seis ou sete bolos para o café da manhã do pessoal”, conta.

Nei ajuda na pintura de faixas antes de preparar

refeição (Foto: Luciana Bonadio/G1) Nei mora em Salvador e relata por que decidiu acampar com o grupo. “A gente percebeu que só nessas passeatas [contra a usina de Belo Monte] não conseguiríamos muita coisa e pensamos nisso”, explicou. Além de cozinhar, ele ajudava na manhã desta terça-feira (25) a pintar faixas que o grupo espalhou pelo viaduto.

A artista de circo Isadora Faro, de 22 anos, mora em Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo, e se juntou ao grupo nesta segunda (24). “Acho que agora, finalmente, a gente está se juntando para debater sobre o que não concordamos há muito tempo”, disse. Ela falou que ainda há algumas coisas a melhorar no acampamento. “Mas a gente vai aprendendo junto.”

O padre Júlio Lancelotti conversava nesta terça-feira com os acampados. “Eu vim quase todos os dias para dar apoio a eles. É importante que os jovens manifestem seus sonhos e tenham liberdade para isso”, defendeu ele.

Artista faz maquiagem em acampamento no Centro de SP (Foto: Luciana Bonadio/G1)        

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