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'Guerra cambial' vai ser discutida em reunião do G20, diz Mantega

'Guerra cambial' vai ser discutida em reunião do G20, diz Mantega

Atualizado: Segunda-feira, 11 Outubro de 2010 as 9:58

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse neste sábado que o problema dos desequilíbrios cambiais entre os países será levado para a reunião do G20 (grupo das principais economias avançadas e em desenvolvimento, do qual o Brasil faz parte), marcada para novembro, em Seul, na Coreia do Sul.

"Prevalece a sugestão de que no G20 da Coreia nós possamos aprofundar a discussão sobre esses problemas", disse o ministro, em Washington, onde participa da reunião anual do FMI (Fundo Monetário Internacional) e do Banco Mundial.

A chamada "guerra cambial", expressão usada primeiramente por Mantega e que acabou ganhando atenção mundial, foi o principal tema do encontro na capital americana, que termina neste domingo.

O conflito está no fato de alguns países supostamente manterem suas moedas desvalorizadas de maneira artificial, o que torna suas exportações mais baratas e competitivas no mercado internacional e acaba tendo efeito negativo sobre outros países que têm moedas mais valorizadas.

Um dos principais focos de críticas é a China, acusada principalmente pelo governo americano de manter sua moeda, o yuan, artificialmente desvalorizada em relação ao dólar. No entanto, as críticas de Mantega se dirigem especialmente a países avançados, entre eles os Estados Unidos.

Guerra comercial

Segundo Mantega, esses países avançados enfrentam uma lenta recuperação da crise econômica mundial, com alto nível de desemprego e baixo consumo doméstico, e acabam buscando o "mercado alheio".

"(Esse comportamento) leva à guerra cambial e também à guerra comercial, porque também pode levar a um protecionismo", disse o ministro.

Uma das sugestões apresentadas por Mantega em Washington foi a de que algumas economias avançadas retomassem as políticas fiscais - desativadas à medida que saíram da fase mais aguda da crise - como forma de evitar a "guerra cambial".

No entanto, muitas economias avançadas foram obrigadas a retirar esses estímulos devido a seus altos níveis de dívida pública e déficit orçamentário, e teriam pouco espaço para a retomada das medidas.

"Propus que não deixemos esse conflito se aprofundar e não deixemos que cada país busque uma solução para si próprio. É preferível a gente colocar na pauta do FMI e na pauta do G20 a discussão da revisão das políticas e a questão cambial propriamente dita", afirmou.

Supervisão do FMI

De acordo com o FMI, esses desequilíbrios são resultado de uma recuperação da economia mundial ainda frágil e que ocorre de maneira desigual entre os países (os emergentes se recuperaram mais rápido e têm apresentado crescimento mais robusto que os avançados), e a solução passa por uma ação global e coordenada, não por medidas individuais.

Para ajudar a evitar conflitos e buscar a retomada do equilíbrio global, o FMI irá reforçar a supervisão das políticas cambiais dos países e realizar relatórios sobre o impacto que as medidas monetárias e fiscais de cada país têm sobre outras economias.

O diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, disse que a supervisão é importante porque em países como Estados Unidos, economias da zona do euro, Japão e China, medidas adotadas internamente têm consequências no resto do mundo.

"É impossível acreditar que o crescimento global possa ser reequilibrado sem mudar o valor de algumas moedas", afirmou.

Fluxo de capital

Segundo Strauss-Kahn, o principal objetivo é o equilíbrio do crescimento global, mas há outra questão mais de curto prazo, desencadeada pelas declarações de Mantega de que o mundo vivia uma "guerra cambial".

"Provavelmente foi uma expressão muito forte", disse Strauss-Kahn. "Mas alguns países emergentes realmente estão enfrentando grandes fluxos de capital e precisam encontrar uma maneira de reagir a isso."

O Brasil é um dos países afetados por entrada excessiva de capital estrangeiro, que chega atraído pelas altas taxas de juros e acaba forçando uma valorização do real frente ao dólar, o que prejudica as exportações nacionais.

Mantega disse que o FMI tem atuado como instrumento do G20.

"E é assim que deve permanecer. Ele foi provocado inclusive por mim para que faça estudos de modo a dar um encaminhamento coletivo para essa questão cambial", afirmou o ministro.

Cotas

Outro tema de destaque na reunião em Washington é a reforma do FMI e a redistribuição de cotas. Países emergentes, entre eles o Brasil e a China, vêm reclamando maior participação e maior poder dentro do Fundo, como resultado de sua maior projeção no cenário global.

Strauss-Kahn disse que o tema avançou e que um anúncio pode sair "dentro de semanas". No entanto, ainda há divergências a serem discutidas entre os vários países.

Segundo o chefe do FMI, emergentes que querem ter mais cotas e maior participação devem estar preparados para assumir também maiores responsabilidades.

Strauss-Kahn disse que esta é a lógica de uma instituição em que alguns membros têm mais peso que outros.

"Quanto mais você está no centro, mais você precisa fazer a sua parte para estabilizar o sistema inteiro", afirmou.

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