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Haddad diz que ação do Denarc na Cracolândia foi desnecessária

Haddad diz que ação do Denarc na Cracolândia foi desnecessária

Atualizado: Sexta-feira, 24 Janeiro de 2014 as 6

 
Cracolândia
O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), se disse indignado com a ação da Polícia Civil que terminou com prisões e tumulto na Cracolândia e a considerou "lamentável".
Além disso, o prefeito afirmou que a ação da Polícia Civil não foi "pactuada" com a Prefeitura. "O governo municipal não tinha o menor conhecimento do que ocorreria ali. Se tivéssemos tomado conhecimento, não concordaríamos com a maneira como foi procedido. Ali havia cidadãos comuns, beneficiários do programa (Operação de Braços Abertos), agentes da saúde, agentes da assistência social e outros servidores, que foram surpreendidos por uma ação repressiva", declarou.
 
Haddad manifestou preocupação com a possibilidade de novas ações deste tipo voltarem a se repetir na Cracolândia. "Esse tipo de ação pode comprometer essa relação de confiança que foi estabelecida ao longo desses meses. E isso nós não podemos permitir", destacou.
 
Em nota, a Prefeitura informou que houve uso de bala de borracha e bombas de efeito moral contra "contra uma multidão formada por trabalhadores, agentes públicos de saúde e assistência e pessoas em situação de rua, miséria, exclusão social e grave dependência química". (Veja íntegra da nota abaixo)
 
No horário da ação policial, funcionários da Prefeitura e o secretário municipal de Segurança Urbana estavam na Cracolândia e faziam um balanço do Programa Braços Abertos, que busca oferecer vaga de trabalho para dependentes de crack. "Acho que o que nos cabe neste momento é manifestar essa indignação e reafirmar nosso compromisso com o programa (Braços Abertos) ", disse Haddad.
 
Nesta tarde, por volta das 15h, agentes do Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc) realizaram ação para prender traficantes na região. Cerca de trinta suspeitos foram levados para averiguação, segundo a assessoria de imprensa da Polícia Civil.
De acordo com a Polícia Civil, houve resistência por parte dos suspeitos e de usuários de drogas. Os policiais contam que foram atacados com paus e pedras e que três carros do Denarc foram depredados. Um policial teria ficado ferido ao levar uma paulada e foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal para fazer exame de corpo de delito, segundo o Denarc.
 
A ação ocorreu por volta das 15h. De acordo com a reportagem da Rádio CBN, usuários de crack relataram o uso de bombas de efeito moral na abordagem policial. Tanto a Prefeitura de São Paulo quanto a Polícia Militar disseram não ter sido avisadas previamente da ação.
 
A delegada e diretora do Denarc, Elaine Maria Biasoli, disse que a ação policial na Cracolândia que terminou em prisões e tumulto ocorreu "dentro da legalidade". "O Denarc não possui bala de borracha. Nós temos, sim, munição antimotim para intimidar. É bomba de efeito moral, só", disse. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que, no relatório enviado ao secretário Fernando Grella, os agentes do Denarc não relataram ter usado balas de borracha na operação.
 
Por meio de sua assessoria, o Denarc disse que as prisões não fazem parte de uma operação específica, mas integra as ações rotineiras que o departamento de combate ao tráfico já realiza na região. Para essas ações, o Denarc diz que não costuma pedir apoio de outras forças policiais. Desde o dia 1º de janeiro, ao menos 33 suspeitos de tráfico já foram detidos na região da Cracolândia, segundo a assessoria do departamento.
 
Braços Abertos
O programa da Prefeitura busca oferecer emprego para usuários de crack. Ao apresentar o programa no começo do mês, o prefeito Fernando Haddad tinha criticado ações violentas e "higienistas" já adotadas contra os usuários de droga na região.
 
No total, a Prefeitura ofereceu 400 vagas para que usuários trabalhem em atividades de zeladoria em praças. Com a iniciativa, os usuários deixaram barracos nas calçadas nas ruas Helvétia e Dino Bueno e se mudaram para cinco hotéis na região.
 
O custo por pessoa para a Prefeitura será de cerca de R$ 1.215 mensais por participante, incluindo por exemplo os valores que serão pagos com os hotéis. Os participantes terão café, almoço e jantar pelo programa Bom Prato.
 
Dependentes que têm companheiros ficarão em um quarto. No caso dos solteiros, eles ficarão hospedados em quartos com três ou quatro pessoas, segundo a Prefeitura.
 
Apesar do foco no trabalho, a ação é voltada e comandada pela área da saúde. O atendimento se dará especialmente no equipamento denominado Braços Abertos, instalado na região. Equipes do programa Consultório de Rua, que são vinculadas à UBS Santa Cecília e fazem abordagem aos usuários, continuarão o trabalho.
 
Nota da Prefeitura
Confira abaixo o posicionamento oficial da administração municipal:
 
"A administração municipal foi surpreendida pela ação policial repressiva realizada hoje na região da Cracolândia pelo Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc), da Policia Civil.
 
A Prefeitura repudia esse tipo de intervenção, que fez uso de balas de borracha e bombas de efeito moral contra uma multidão formada por trabalhadores, agentes públicos de saúde e assistência e pessoas em situação de rua, miséria, exclusão social e grave dependência química. A "Operação de Braços Abertos" é uma política pública municipal pactuada com o governo estadual, que preconiza a não-violência e na qual a prisão de traficantes deve ser feita sem uso desproporcional de força.
 
Agentes da Prefeitura trabalham há seis meses para conquistar a confiança e obter a colaboração das pessoas atendidas. A administração reafirma seu empenho na solução deste problema da cidade e manifesta sua preocupação com este tipo de incidente, que pode comprometer a continuidade do programa. E expressou essa posição diretamente ao Governo do Estado.
 
Secretaria de Comunicação
Prefeitura de São Paulo"
 

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