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Homicídios crescem 42,8% e sociedade fica sem resposta

Homicídios crescem 42,8% e sociedade fica sem resposta

Atualizado: Segunda-feira, 10 Maio de 2010 as 9:22

''Até quando?'' A pergunta que a sociedade faz e que virou um selo nas matérias do Diário do Nordeste sobre a criminalidade continua sem resposta. Enquanto isso, as estatísticas da violência armada em Fortaleza e na sua Região Metropolitana não param de crescer de forme vertiginosa. Prova disso foi o que aconteceu no primeiro quadrimestre deste ano. Foram, nada menos, que 593 homicídios praticados na Grande Fortaleza, contra 415 no mesmo período do ano passado, o que representa um avanço da ordem de 42,8 por cento.

Enquanto isso, duas importantes ferramentas de combate e investigação dos crimes anunciadas pelo governo continuam sem funcionar no Estado: a Divisão de Homicídios (DH) e a nova estrutura da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce). As obras das estruturas físicas dos dois órgãos se arrastam, já estando atrasadas em quase três meses. Conforme o cronograma, deveriam ter sido entregues em fevereiro.

O mês de abril que findou há pouco mais de uma semana registrou um recorde no número de assassinatos. Foram, nada menos, que 166 pessoas mortas nas ruas, avenidas, praças e favelas da Capital. Destas, 139 foram executadas a tiro. As demais, assassinadas a golpes de faca ou outros meios violentos.

Somados os 593 crimes de janeiro a abril aos 31 assassinatos ocorridos já este mês, de 1º ao dia 7, já são, portanto 624 homicídios praticados na Grande Fortaleza. A maioria continua sem solução, isto é, a Polícia não sabe ainda quem são os autores do crime. A impunidade surge, então, como um dos motivadores da criminalidade.

Em entrevista a uma emissora de televisão local, realizada na última quinta-feira (6), o próprio secretário da Segurança Pública e Defesa Social, delegado federal Roberto Monteiro, admitiu o avanço do crime no Ceará. Segundo ele, mais de mil homicídios já ocorreram no Estado este ano, o que, segundo ele, representa um aumento da ordem de 55 por cento em comparação a igual período (janeiro a abril) de 2009. Na estatística em poder de Monteiro contam os homicídios no Interior.

Mas, na mesma entrevista, o secretário ''comemorou'' a queda nos índices de latrocínio (roubo seguido de morte).

Trauma

No entanto, são os crimes de latrocínio os que causam maior repercussão na sociedade e aqueles que deixam as famílias das vítimas mais traumatizadas. Este ano, foram vários casos que ganharam repercussão. Um deles foi a morte da empresária Marcela Montenegro, que tentou fugir de assaltantes no Papicu, no dia 8 de março, e acabou sofrendo um tiro na cabeça. Na mesma noite, o estudante Igor Melo Barbosa Teodoro também foi assassinado por bandidos na Praia do Futuro.

Obras atrasadas

''Divisão'' não saiu ainda do papel

Com a promessa de que iria funcionar logo no começo de 2010, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) apostava que a Divisão de Homicídios poderia conter o avanço dos assassinatos na Grande Fortaleza este ano. No entanto, as obras de construção da sede da Divisão, instalada na Avenida Aguanambi, estão atrasadas. Não há, ainda, uma data definida para que ela seja, finalmente, inaugurada.

Da mesma forma que a ´Homicídios´, as autoridades não sabem ainda quando entrarão em funcionamento a Divisão de Combate aos Entorpecentes e a sede da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce), no prédio que abrigava o antigo IML e o Instituto de Criminalística (IC), na Avenida Leste-Oeste.

Nova

Também continua em construção a Academia Geral de Polícia, que vai abrigar sob o mesmo tento os policiais civis e militares, os bombeiros militares e peritos criminais.

Já a nova sede da Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos e Cargas (DRFVC) deverá ser inaugurada ainda este mês. A previsão é de que o evento aconteça no próximo dia 14.

Conforme o diretor de Polícia Especializada (DPE), delegado Jairo Façanha Pequeno, a nova ''Furto de Veículos'' funcionará com o que há de mais moderno. Será, segundo ele, uma Especializada que deverá dar um salto de qualidade no atendimento ao público e no trabalho de investigação para a desarticulação de quadrilhas responsáveis por roubos, furtos e desmanches de veículos. A DRFVC também deverá ter mais meios para o combate ao roubo, desvio e receptação de cargas no Estado.

Equipe

Na tentativa de impedir que a maioria dos assassinatos cai na vala da impunidade, o superintendente da Polícia Civil do Ceará, delegado Luiz Carlos Dantas, institui um grupo provisório de investigação de homicídios. São policiais que comparecem aos locais de crimes, fazem levantamentos iniciais, acompanham o trabalho dos peritos, ouvem as primeiras testemunhas ainda na cena do crime e repassam todo esse leque de informações às delegacias responsáveis pelo inquérito.

A equipe escolhida para integrar a Divisão de Homicídios vem recebendo treinamento prático e teórico.

Polícia Civil

Delegado defende a prevenção às drogas

As próprias autoridades da Segurança Pública admitem que o fator de maior incremento na violência armada é o tráfico de drogas. ''O infrator não tem como pagar e acaba pagando a dívida de droga com a própria vida'', afirma o secretário da Segurança Pública e Defesa Social, Roberto Monteiro.

Para o diretor do Departamento de Polícia Especializada (DPE), delegado Jairo Façanha Pequeno, '' só prender não basta. Não vai adiantar só ficarmos enchendo os presídios com traficantes de drogas. É preciso se investir na prevenção''. Ele ressalta o trabalho que a Divisão de Proteção ao Estudante (Dipre) vem fazendo neste setor.

Composta por uma equipe com larga experiência no trabalho de prevenção, a Dipre realiza palestras, seminários, cursos e oficina em escolas públicas e particulares em Fortaleza, na Região Metropolitana e também no Interior do Estado.

Conscientização

Policiais devidamente treinados mostram para os estudante como evitar o contato com as drogas e explicam os males que a dependência química acaba por trazer para o ser humano.

''As escolas agendam com a Dipre o dia da visita e a equipe faz um importante trabalho de conscientização junto aos alunos, professores e pais dos jovens. Este é um trabalho cujos frutos virão no futuro, tirando os jovens do mundo das drogas'', explica Pequeno.

No ano passado, a Delegacia de Narcótico (Denarc), também da Polícia Civil, conseguiu prender cerca de 400 pessoas acusadas de envolvimento com o tráfico de drogas na Capital e região metropolitana. A maioria era reincidente neste tipo de delito e continua recolhida nos presídios e Casas de Custódia.

Por Fernando Ribeiro

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