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Imagens ajudam a desmontar quadrilha que produzia cocaína no Rio

Imagens ajudam a desmontar quadrilha que produzia cocaína no Rio

Atualizado: Sexta-feira, 26 Março de 2010 as 12

Escutas telefônicas e imagens ajudaram a polícia a desmontar uma quadrilha que produzia cocaína em morros do Rio. O traficante Rogério Mosqueira, conhecido como Roupinol, morto numa operação na terça-feira (23), no Morro de São Carlos, no Estácio, na Zona Norte, era, segundo a polícia, um dos chefes da organização.

Para mapear o funcionamento da quadrilha os investigadores monitoraram o local onde eram comprados os produtos químicos para preparar a cocaína. Um morador da Rocinha, na Zona Sul, suspeito de envolvimento no esquema, foi detido. De acordo com a polícia, ele é um dos 216 indiciados na investigação por associação ao tráfico.

O início da investigação foi há três anos, com a descoberta das primeiras refinarias da droga. Em imagens gravadas pela polícia, os agentes localizaram um dos endereços no alto da Rocinha. Dentro da casa, foram encontrados vidros dos produtos químicos como ácido clorídrico e sulfúrico, que teriam sido encomendados por traficantes.

Os agentes apreenderam, ainda, holofotes, bacias e um farto equipamento para manipular a droga. Até uma prensa foi recolhida. Além dos moradores, outras 60 pessoas foram indiciadas nas investigações.

Traficantes recrutavam moradores

Os traficantes recrutavam os moradores e pagavam R$ 40 por compra. Numa escuta telefônica gravada com a autorização da Justiça, um dos traficantes pede para recrutar moradores para a compra de produtos.

Suspeito 1: "Chega aí para pegar o dinheiro aqui em casa."

Suspeito 2: "Não, 'tô' indo aí. Eu vou arrumar os cinco (pessoas) e vou pegar o dinheiro, valeu?"

Suspeito 1: "Pega logo o dinheiro 'pô', depois 'tu' arruma."

De acordo com os investigadores, os traficantes encomendavam produtos como ácido clorídrico e sulfúrico.

Suspeito 3: "Olha só, clorídrico e sulfúrico tem, não tem álcool."

Suspeito 1: "Então, não dá para comprar clorídrico e sulfúrico não?"

Suspeito 3: "Dá 'pô'"

Ainda segundo a polícia, Além de Roupinol, outro homem suspeito de envolvimento com o tráfico de drogas comandava o esquema: Antônio Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha, que está foragido. Juntos eles eram os responsáveis por uma produção gigantesca de cocaína.

Nos últimos dois anos eles teriam comprado seis toneladas de pasta base na Bolívia e na Colômbia. Na ação, que resultou na morte de Roupinol, a polícia apreendeu documentos da contabilidade do tráfico no Morro de São Carlos. A quadrilha já produzia de 200 a 400 quilos de cocaína por semana.

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