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"Independentes" dizem não temer por voto contra mínimo de R$ 545

"Independentes" dizem não temer por voto contra mínimo de R$ 545

Atualizado: Domingo, 20 Fevereiro de 2011 as 7:44

Embora o governo esteja otimista com relação à aprovação do salário mínimo de R$ 545 no Senado, deverá enfrentar mais algumas “traições”, como as ocorridas na votação na Câmara. Aliados do governo já admitem brigar por um mínimo maior que o proposto pelo Planalto. A votação no Senado está marcada para a próxima quarta-feira (23).

Junto dos 16 senadores da oposição (PSDB, DEM e PPS), devem remar contra a maré governista outros sete que se consideram “independentes”. Deles, cinco são do chamado PMDB “histórico”: Jarbas Vasconcelos (PE), Pedro Simon (RS), Roberto Requião (PR), Luiz Henrique (SC) e Casildo Maldaner (SC).

Serão acompanhados pela novata Ana Amélia Lemos (PP-RS) e ainda pelo petista Paulo Paim (RS), conhecido por defender aumentos mais generosos para assalariados e aposentados.

Na votação, o governo calcula apoio de 56 dos 81 senadores, número tranquilo para aprovar de vez o salário mínimo, após a votação vitoriosa na Câmara. Ainda assim, os “independentes” votarão para deixar seus recados e dizem não temer retaliações.

Ex-governador do Paraná, Requião diz “que estaria bom” um mínimo de R$ 580. Em seu Estado, ressalta, o piso pago a um operário é R$ 765. Sua crítica ao governo – que defende os R$ 545 para não estourar gastos da Previdência e segurar a inflação - volta-se para a política econômica, que diz ser “tolerante” com o mercado financeiro.

- Essa contenção [de gastos] é uma desnecessidade. A Dilma está fazendo uma sinalização para o mercado. Eu espero um rompimento com essa tolerância às exigências do mercado e uma redução do imposto, aumento do salário, contenção da desvalorização do dólar, financiamentos abundantes para a indústria e inovação tecnológica.

Retaliações

Requião diz que não teme retaliação pelo voto contrário, já que tem um mandato de oito anos no Senado e não tem interesse em indicar ninguém para o governo.

Outro, porém, que já foi prejudicado por manter uma postura crítica é o veterano Pedro Simon (PMDB-RS). Com 28 anos de Senado, ele ficará, pela primeira vez, fora das comissões mais importantes da Casa, a de Constituição e Justiça e a de Assuntos Econômicos.

Ele diz que ainda está dividido entre votar ou não com o governo. Quer um salário maior, mas se sensibiliza com a postura rígida de Dilma para economizar em seu primeiro ano.

- De um lado eu sou a favor de um salário mais alto possível, mas por outro eu vejo com muita admiração o início do governo da presidente. Acho que ela está tendo atitudes concretas muito positivas e acho que a gente puder fazer para fortalecê-la, a gente deve fazer.

Ainda na terça-feira, véspera da votação, Requião e Simon deverão se reunir com os peemedebistas Casildo Maldaner (suplente do governador catarinense Raimundo Colombo), Jarbas Vasconcelos e Luiz Henrique. Na eleição do ano passado, os três apoiaram o candidato derrotado à Presidência José Serra (PSDB), que prometeu um mínimo R$ 600 na campanha.

Pela primeira vez num cargo público, a jornalista e agora senadora Ana Amélia Lemos (PP-RS) também diz que vai votar contra os R$ 545 para “manter a coerência” com a proposta de Serra, que apoiou durante a corrida eleitoral. Filiada ao PP, aliado com direito a ministério no governo, ela deverá ser a única entre cinco senadores do partido no Senado a contrariar o governo.

- Na área política, precisamos é disso: dar mais credibilidade sendo coerente com as posições. Não temo prejudicar o partido, porque a presidenta Dilma me conhece, sabe das minhas posições.

Ana Amélia foi eleita com 3,4 milhões de votos e, diz, recebeu uma ligação pessoal da então candidata Dilma durante a campanha pedindo apoio para o segundo turno, que negou. Ela, afirma, no entanto, que, como senadora, poderá ajudar o governo, dependendo da situação.

- O governo não pode me hostilizar, nem fazer qualquer atitude de radicalização, porque sabe que na hora que for necessário, estarei com atitude racional e oposição fiscalizadora.

Acordo

No próprio ninho petista, o senador gaúcho Paulo Paim deverá começar a semana defendendo um aumento para R$ 560. Sua ideia é antecipar parte do reajuste do ano que vem, quando o mínimo deverá atingir R$ 615.

A proposta alternativa, porém, é peça de barganha para um acordo. O senador diz que abre mão do aumento se o governo acatar outras duas de suas propostas para 2012: acabar com o fator previdenciário (mecanismo que vêm exigindo mais tempo de contribuição para o trabalhador manter os mesmos valores de sua aposentadoria) e uma política fixa de reajuste para aposentados, como o governo propôs para o salário mínimo.

Ele diz ser um dos maiores defensores da atual política salarial e, ao contrário de retaliações, diz acreditar que o governo vai tratar seus planos com “boa vontade”.

- É possível construir um entendimento. O governo não tem interesse em massacrar o movimento sindical nem contra uma política de valorização dos aposentados. [...] No governo Lula, nunca tive nenhum tipo de retaliação. Fui sempre muito bem tratado. O Lula e a Dilma foram no meu Estado fazer campanha para mim. Não tenho temor nenhum.

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