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Indígena de 110 anos é resgatada de incêndio e se recupera em MS

Indígena de 110 anos é resgatada de incêndio e se recupera em MS

Atualizado: Quinta-feira, 28 Julho de 2011 as 3:49

Júlia Caetano está internada em Corumbá

(Foto: Reprodução/TV Morena)

  Depois de ser salvar de um princípio de incêndio, a indígena da etnia Guató, Júlia Caetano, de 110 anos, permanece internada na Santa Casa de Corumbá, distante 344 quilômetros de Campo Grande. Segundo informações do hospital, ela passa bem e terá alta nesta quinta-feira (28).

A indígena foi resgata por profissionais de uma rede que trabalha para a proteção do Pantanal. Ela foi levada para Corumbá por um barqueiro e depois foi encaminhada ao hospital pelo Instituto do Homem Pantaneiro (IHP) e pela Fundação Nacional da Saúde (Funasa).

O acidente aconteceu na manhã de segunda-feira (25) depois que o filho da indígena, Vicente Caetano, de 66 anos, saiu para pescar. A mãe teria derrubado pedaços de lenha no fogo enquanto cozinhava. Ele conta que quando chegou em casa ela estava desmaiada em meio à fumaça.

Segundo informações do instituto, Júlia e Vicente tem uma linhagem pura da etnia guató e são os únicos que ainda falam o dialeto original, que já está praticamente extinto.

Recuperação

A indígena é cega, tem dificuldades na audição e anda devagar, mas apesar da idade avançada os médicos afirmam que ela é forte e muito saudável e que a recuperação foi rápida. Segundo informações do hospital ela chegou com sintomas de intoxicação, desidratação e algumas queimaduras pelo corpo.

Julia e o filho, Vicente, de 66 anos

(Foto: Divulgação/IHP)

  Depois de receber alta, Júlia e o filho devem retornar para casa, que fica localizada na região do rio São Lourenço, parte mais alta da planície pantaneira, em Corumbá. A viagem de barco deve durar cerca de cinco horas.

A família de guatós mora em uma casa simples, em área isolada do Pantanal. Vicente conta que a mãe e ele preferiram morar separados do resto da tribo de indígenas da mesma etnia.

Índios guató

Os índios guató são também conhecidos como índios canoeiros. Em Corumbá, a aldeia Uberaba abriga cerca de 150 indígenas da etnia, na Ilha Ínsua, localizada na divisa com Mato Grosso e fronteira com a Bolívia. Pesquisas apontam que área foi conquistada na década de 90.

No local, os indígenas plantam mandioca, milho e cereais de outras espécies. Eles também praticam atividades de caça e pesca.

Eles mantém ainda a tradição na construção de canoas com troncos de árvores de madeiras leves, escavadas a fogo e aparadas com instrumentos rudimentares.            

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