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Inquérito vai apurar intoxicação de oito moradores de rua em BH

Inquérito vai apurar intoxicação de oito moradores de rua em BH

Atualizado: Segunda-feira, 16 Maio de 2011 as 1:44

A intoxicação de oito moradores de rua que beberam cachaça provavelmente envenenada com chumbinho, em Belo Horizonte, vai ser investigada pela 2ª Delegacia Distrital de Venda Nova, na capital. De acordo com a Polícia Civil, um inquérito vai ser aberto para apurar o caso. A ocorrência foi registrada como tentativa de homicídio pela Polícia Militar neste domingo (15). O grupo estava em uma praça no bairro Santa Amélia, na Região da Pampulha, na capital, e encontrou uma garrafa abandonada contendo a bebida.

A assessoria da Polícia Civil informou que a garrafa de 600 ml e com rótulo de cachaça foi encaminhada para a perícia. O Instituto de Criminalística de Belo Horizonte tem 30 dias para entregar um laudo. Na delegacia de plantão, onde a ocorrência foi registrada neste domingo (15), o policial Cláudio de Oliveira informou que ninguém foi ouvido oficialmente sobre o caso e que não há suspeitos do crime.

  O episódio chocou moradores do bairro Santa Amélia, que ficaram indignados com a violência, e chamou a atenção de associações assistenciais. De acordo com a educadora social da Pastoral de Rua, Claudenice Lopes, casos de envenenamentos de moradores de rua não são muito comuns em Belo Horizonte, ao contrário de outras capitais.

“Estamos assustados e indignados com essa situação, é um sinal de intolerância. É preciso pensar em alternativas concretas para ajudar essas pessoas que vivem nesta situação limite”, afirmou. Segundo ela, os dados do censo de 2005 mostram que existem 1.164 pessoas morando nas ruas, mas ela estima que o número já chega a dois mil.

De acordo com Rogério Costa, diretor da Associação Projeto Amor Franciscano, que possue um projeto social para desabrigados, no mesmo local já havia acontecido um caso semelhante. Uma pessoa teria deixado uma marmita para os moradores de rua, mas eles suspeitaram e não comeram. O alimento foi ingerido por cachorros, que morreram no mesmo dia envenenados.

Rogério afirma que vizinhos reclamam da sujeira e de brigas entre os moradores de rua na pracinha. Porém, ele condena a atitude de quem tenha colocado o veneno na cachaça. “É um problema social, que deveria ser debatido entre toda a sociedade e a prefeitura para definir medidas que melhorem esta situação”, disse.

Procurado pelo G1 , o delegado Felipe Cordeiro, que vai ser nomeado para conduzir as investigações na 2ª Delegacia Distrital de Venda Nova, informou que a Polícia Civil está em greve e não quis comentar sobre o caso. A assessoria da Polícia Civil informou que a apuração não vai ficar prejudicada em função da paralisação dos policiais.

A polícia conta também com o apoio de testemunhas, que terão a identificação preservada. Quem tiver informações pode ligar para o Disque Denúncia, pelo telefone 181.        

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