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Intenção de Lindemberg sempre foi a de matar Eloá, diz promotor

Intenção de Lindemberg sempre foi a de matar Eloá, diz promotor

Atualizado: Sexta-feira, 11 Março de 2011 as 3:32

A intenção de Lindemberg Alves Fernandes sempre foi a de matar a ex-namorada Eloá Pimentel, afirmou nesta sexta-feira (11), o promotor responsável pelo caso, Antônio Nobre Folgado, após audiência realizada no fórum de Santo André, no ABC, para saber se o réu será submetido a júri popular pelo crime. A sentença só será conhecida após o interrogatório do acusado, que ainda não tem data para acontecer.

“Lindemberg sempre quis matar Eloá. Ele disse isso várias vezes durante as 100 horas do sequestro”, afirmou o promotor, em entrevista coletiva. Ainda segundo o promotor, os depoimentos das testemunhas de acusação foram bastante contundentes e demonstraram que o acusado estava disposto a matar a qualquer custo. Folgado acredita que o réu será submetido a júri popular. “Espero que o julgamento ocorra ainda este ano. Se houver algum recurso da defesa, este julgamento só deverá ocorrer em 2012”, declarou.     Uma das cinco testemunhas ouvidas nesta sexta pelo juiz José Carlos de França Carvalho também afirmou isto. De acordo com o policial militar Atos Antonio Valeriano, o primeiro a negociar a libertação dos reféns, afirmou que Lindemberg sempre esteve disposto a matar todos os quatro reféns e a se matar em seguida. A imprensa não foi autorizada a acompanhar os depoimentos. Todas as informações sobre os depoimentos foram passadas pela assessoria de imprenda do Tribunal de Justiça de São Paulo.

De acordo com a assessoria do TJ, o policial militar também afirmou que Lindemberg atirou em sua direção e quase o acertou. O disparo atingiu uma parede próxima. Ele foi o último das cinco testemunhas da acusação a ser ouvido; a primeira foi Nayara. Além dela, também foram ouvidos o irmão de Eloá, Everton Douglas Pimentel, e os dois jovens que também foram feitos reféns por Lindemberg. A audiência começou às 10h10 e terminou às 13h30. Todos os depoentes saíram sem falar com a imprensa.

Lindemberg responde pelo assassinato de Eloá e pela tentativa de homicídio de Nayara Rodrigues e do policial militar, além do crime de manter em cárcere privado os adolescentes Victor Lopes de Campos e Iago Vilela de Oliveira.

Segundo a advogada de Lindemberg, Ana Lúcia Assad, ainda não é possível afirmar que o cliente dela será levado a julgamento. “As testemunhas de defesa e Lindenberg ainda precisam ser ouvidas”, afirmou.

Depoimento de Nayara

Nayara Rodrigues, sobrevivente do sequestro de mais de cem horas que culminou com a morte de sua amiga Eloá Pimentel num apartamento em Santo André, no ABC, em 17 de outubro de 2008, afirmou no fórum da mesma cidade que o acusado do crime sempre questionava a vítima sobre o término do namoro.

Nayara falou durante 1 hora e 25 minutos - começou às 10h10 e terminou às 11h35 - sem a presença de Lindemberg na sala do juiz. Ainda segundo o TJ-SP, a adolescente também descreveu como foram os dias em que ela e a amiga foram mantidas reféns por Lidemberg, que mudava constantemente de humor.

Em seguida ao depoimento de Nayara, foi ouvido o irmão de Eloá, Everton Douglas Pimentel, que, das 11h40 às 12h25, falou que Lindemberg era ciumento e possessivo com a ex-namorada. Também afirmou que era amigo do réu e que chegou a negociar a libertação da irmã com Lindemberg por telefone. O réu acompanhou esse depoimento.

A audiência de instrução começou a ser refeita por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Crimes

Preso preventivamente desde o crime na Penitenciária de Tremembé, no interior do estado, Lindemberg também responde por tentativa de homicídio e lesão corporal contra a amiga de Eloá e tentativa de assassinato contra um policial militar. Nayara foi baleada no rosto e o então sargento Atos Antonio Valeriano quase foi atingido por um disparo. A perícia feita pela Polícia Técnico-Científica mostrou que os disparos foram feitos pelo réu.

Além disso, Lindemberg é acusado de manter sob cárcere privado a sobrevivente Nayara e mais dois adolescentes que estavam no imóvel, Victor Lopes de Campos e Iago Vilela de Oliveira.

Testemunhas de acusação

Além de Nayara e de Everton, mais três vítimas citadas acima deverão ser ouvidas nesta sexta na condição de testemunhas da acusação. De acordo com o TJ-SP, a ordem dos depoimentos seguirá com Victor, Iago e Atos.

Outras cinco pessoas arroladas pela acusação deverão ser ouvidas nos próximos dias. Todas serão interpeladas pelo juiz José Carlos de França Carvalho, Ministério Público e defesa do réu.

Segundo a assessoria de imprensa da Promotoria, as outras cinco testemunhas são:

- o capitão Adriano Giovanini, do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) da PM que negociou com o sequestrador a libertação dos reféns;

- o policial militar do Gate Paulo Sérgio Schiavo;

- o irmão de Eloá, Ronickson Pimentel dos Santos, que deve reafirmar que Lindemberg era um namorado possessivo;

- a mãe de Eloá, Ana Cristina Pimentel da Rocha;

- o delegado Sergio Luditza, que era titular do 6º Distrito Policial, em Santo André, e investigou o caso, indiciando Lindemberg.

De acordo com sua advogada, Lindemberg foi orientado a não falar naquela ocasião porque o juiz deixou de ouvir dois policiais militares que participaram da invasão do apartamento e rejeitou análise de depoimentos e laudos.

“Ele [Lindemberg] não falou naquela oportunidade por conta das irregularidades que aconteceram naquela data na audiência de instrução. A defesa entrou com recursos jurídicos para que a audiência fosse anulada e refeita”, disse Ana Lúcia.

Segundo ela, seu cliente dará nesta próxima audiência a sua defesa quando for questionado pelo juiz. “Espero e acredito que o estado/juiz aja em observância a paridade de armas. Em outras palavras, que tanto defesa e acusação tenham as mesmas oportunidades para demonstrar cada uma a sua verdade”, disse a advogada, que, entretanto, não adiantou qual será a versão de Lindemberg.

O caso

Eloá Cristina Pimentel, sua amiga Nayara Silva e mais dois adolescentes foram feitos reféns por Lindemberg no dia 13 de outubro de 2008 no apartamento dos pais da vítima em Santo André.

Os dois jovens foram libertados no mesmo dia e as duas meninas seguiram no apartamento. Nayara deixou o local no dia 14, mas retornou no dia 16 após uma tentativa frustrada de negociação com a Polícia Militar. No dia seguinte, a polícia invadiu o apartamento e as duas acabaram baleadas. Eloá morreu atingida por dois tiros e Nayara ficou ferida.

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