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Interior de SP registra calor acima da média neste ano

Interior de SP registra calor acima da média neste ano

Atualizado: Terça-feira, 1 Fevereiro de 2011 as 8:14

O calor não tem dado trégua ao paulistano. No domingo (30), São Paulo teve o recorde do verão: 33,8°C. Mas não é só a capital que tem sofrido com as altas temperaturas. A população do interior do estado enfrentou dias até mais quentes em janeiro.

De acordo com o meteorologista Marcelo Schneider, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o calor foi intenso na região noroeste, considerada a mais quente do estado. “Naquela região de Votuporanga, Catanduva e São José do Rio Preto, as frentes frias encontram dificuldades para chegar devido ao posicionamento geográfico. Elas atuam mais no sul e leste do estado”, diz. Resta aos moradores da região recorrer às prainhas para se refrescar, como em Sales, a 380 km da capital, onde há um afluente do Rio Tietê.

O Vale do Paraíba também sofreu com as altas temperaturas de janeiro por ser uma região baixa. Taubaté, de acordo com o Inmet, teve 35,6°C no último sábado. A média histórica é 30,2ºC. O fabricante de sorvetes Messias Manoel Vieira Faria, de 41 anos, comemora o calor. “Não estamos dando conta. Aumentaram as vendas. No ano passado, eu vendia 8 mil sorvetes por dia. Neste ano, estou vendendo 12 mil. No inverno nosso negócio não existe”, ressalta.     Presidente Prudente também tem "fervido". De acordo com o Inmet, na terça-feira passada a cidade registrou 34,2°C. A média histórica para janeiro é 31ºC. “Na região sudoeste, normalmente chove menos, por isso há baixa umidade”, diz Schneider.

Para Júlio Moraes, de 35 anos, dono de um hotel fazenda com parque aquático na cidade, o calor é um presente. “Está superando as expectativas. Como neste ano a região não foi castigada pela chuva, a gente foi beneficiado. Aqui já é quente por natureza e sem chuva gerou um crescimento neste ano de mais de 60%”, comemora

Quem visita a região de Ribeirão Preto também tem se impressionado com o calor. O chope é a maior pedida para se refrescar na cidade. Não à toa, a cidade detém o título de capital da bebida. “É muito quente. Chope eu já gosto de tomar, neste calor então", diz o publicitário Leandro Siqueira, de 28 anos.     A professora Jaqueline Litcanov, de 27 anos, diz que não se acostuma com o calor que faz na cidade. “Moro e trabalho em outras cidades da região, mas não há nada parecido com isso aqui. Estamos em um buraco. Não venta nada. Não conheço outra cidade tão quente quanto Ribeirão Preto”, afirma.

Litoral

No litoral, as temperaturas também têm batido recordes nos últimos dias. Iguape registrou no sábado a temperatura mais alta do estado desde o começo do ano: 36,5°C. “No litoral, que é nível do mar, quando não tem influência de fria frente, acaba ficando tão quente quanto regiões distantes do mar”, diz Schneider. Normalmente, a máxima fica em 29,3ºC no município.

Ainda de acordo com o meteorologista do Inmet, no começo do mês de janeiro houve a influência da Zona de Convergência do Atlântico, que funciona como um corredor de nuvens carregadas de vapor, trazendo umidade da Amazônia para o Sudeste. Sem frente frias, a umidade ficou estacionada, diz.

A previsão é que o calor continue pelo menos até dia 21 de março, quando começa o outono. “Parece que a cada ano que passa fica pior. Na rua, o jeito é procurar uma sombra. E beber muita água”, diz a dona de casa Carmen Lúcia Nogueira Assolini, de 55 anos, moradora de Ribeirão Preto.

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