MENU

IPCA descalera mas rompe teto da meta em 12 meses

IPCA descalera mas rompe teto da meta em 12 meses

Atualizado: Segunda-feira, 9 Maio de 2011 as 4:06

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) surpreendeu e desacelerou levemente em abril, mas a taxa em 12 meses rompeu o teto da meta pela primeira vez em quase seis anos.

O IPCA subiu 0,77 por cento em abril, após alta de 0,79 por cento em março, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira.

A taxa em 12 meses acelerou a alta para 6,51 por cento, ante 6,30 por cento em março, rompendo o teto da meta perseguida pelo governo, que tem centro em 4,5 por cento e tolerância de 2 pontos percentuais para cima ou para baixo. É a primeira vez desde junho de 2005 que a taxa em 12 meses supera o teto da meta do ano e ela acontece antes da previsão do Banco Central, que esperava isso inicialmente apenas no terceiro trimestre.

Analistas ouvidos pela Reuters previam para abril leitura de 0,84 por cento e avanço de 6,58 por cento em 12 meses.

"É preciso ter uma atenção com a taxa em 12 meses daqui para frente. Vamos ter um efeito matemático pela frente. Qualquer que seja a taxa positiva esse ano nos meses de junho, julho e agosto, vai puxar o IPCA em 12 mese para cima", disse economista do IBGE Eulina Nunes dos Santos.

"Ano passado, tivemos uma queda forte dos alimentos que empurrou o IPCA (fortemente) para baixo e, esse ano, os alimentos já começaram a recuar mas ainda estão em um nível alto e continuam pressionando a inflação", acrescentou.

Ou seja, a taxa em 12 meses deve continuar acima do teto de 6,5 por cento da meta nos meses à frente --podendo chegar a 7 por cento em setembro, na previsão de José Francisco Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator--, mas depois arrefecer. O mercado prevê uma inflação neste ano de 6,34 por cento. No ano até abril, o IPCA subiu 3,23 por cento.

O governo vem tomando medidas nos lados monetário e fiscal. No mês passado, o Banco Central diminuiu o ritmo da alta do juro, para 0,25 ponto percentual, mas disse ver um aperto por um período "suficientemente longo", levando o mercado a prever mais elevações do que o anteriormente estimado.

O mercado, no entanto, não descarta totalmente a chance de a inflação deste ano superar o teto de 6,5 por cento. A última vez em que isso ocorreu foi em 2002. Em 2003 e 2004 a meta teve que ser ajustada para cima para evitar novos rompimentos.

"A gente acredita que vai acontecer uma desaceleração para um patamar dentro da meta. Nem tanto por conta da política monetária, porque achamos que os preços de serviços ainda vão continuar altos, mas principlamente por um bom comportamento de alguns produtos que estão sendo os vilões", disse Flávio Serrano, economista-sênior do Espírito Santo Investment Bank.

"Esperamos uma desaceleração forte de transportes, principalmente por conta da normalização da oferta dos combustíveis... E também esperamos um comportamento melhor de alimentos, com a queda das commodities lá fora", acrescentou.

O economista, que vê pequena chance de a inflação terminar o ano acima do teto da meta, projeta uma alta do IPCA entre 0,4 e 0,5 por cento . A expectativa é bastante parecida com a do ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Falando a jornalistas em Brasília nesta manhã, Mantega afirmou que "estamos no chamado ponto de inflexão" e previu uma alta entre 0,45 e 0,5 por cento neste mês

TRANSPORTES PRESSIONAM, ALIMENTOS ARREFECEM

Em abril, o grupo com maior alta de preços foi Transportes, com alta de 1,57 por cento, similar à de 1,56 por cento em março, refletindo o avanço de 6,53 por cento dos combustíveis, responsáveis por 0,30 ponto percentual do IPCA do mês.

Os preços do grupo Alimentação e bebidas subiram 0,58 por cento, ante 0,75 por cento de março, devido melhores condições de clima e oferta, segundo Eulina.

"Produtos importantes com preços em queda contribuíram para a redução do resultado do grupo no mês, a exemplo do tomate, do açúcar cristal, do arroz e das carnes", disse o IBGE em nota. Ainda assim, Alimentação foram a segunda maior contribuição do mês, de 0,18 ponto percentual.

Além desse grupo, outros quatro dentro os nove que formam o IPCA tiveram desaceleração em abril em relação a março: Artigos de residência; Despesas pessoais; Educação; e Comunicação.

(Para ver outros dados do IPCA: here )

Além dos combustíveis, os impactos de alta em abril foram de tarifa de energia elétrica e de água e esgoto, aluguel , condomínio, remédios e empregados domésticos. "Foi um mês de muitas pressões que vieram de vários lados", disse Eulina.

Já a queda do dólar tem ajudado a impedir uma alta mais forte, segundo ela, segurando preços como os de Artigos de residência, que caíram 0,62 por cento. "Itens como TV, som e itens relevantes de artigo de higiene e limpeza estão em queda por conta do dólar", disse a economista do IBGE.

Em maio, as pressões já conhecidas para o IPCA são tarifa de energia em algumas capitais e de ônibus no Rio de Janeiro.

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier e Vanessa Stelzer)

veja também