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Irmão de bombeiro assassinado diz que ele reagiu para defender filhos

Irmão de bombeiro assassinado diz que ele reagiu para defender filhos

Atualizado: Quarta-feira, 17 Agosto de 2011 as 2:50

Bombeiro foi morto ao chegar a prédio do irmão 

(Foto: Juliana Cardilli/G1)

  O irmão do sargento do Corpo de Bombeiros Renato Leite Barboza, de 37 anos, assassinado na noite desta terça-feira (16) durante uma tentativa de assalto na região do Jabaquara, Zona Sul de São Paulo, disse nesta quarta-feira (17) acreditar que o irmão reagiu para defender os filhos. O sargento foi abordado por criminosos quando chegava de carro ao prédio do irmão com os filhos gêmeos de 6 anos. Ele reagiu e foi baleado na troca de tiros. Um dos suspeitos e um zelador do prédio também foram baleados. Outro suspeito foi preso e dois são procurados.

Barboza morava em Santos e trabalhava em São Paulo, no posto do Sacomã, também na Zona Sul, do primeiro grupamento dos Bombeiros. “Ele veio me fazer uma visita. Ele me ligou minutos antes e falou ‘Ricardo, estou indo para sua casa, estou levando uma pizza, espero você chegar’. Meus sobrinhos queriam me ver”, contou Ricardo, que não quis ter seu nome completo divulgado. “Ele era tranquilo demais, evangélico. Na verdade a reação foi pelos filhos mesmo, porque ele era uma pessoa muito tranquila. Se ele estivesse sozinho ele ia entregar o carro, com certeza, não teria reagido.”

Ricardo disse não saber se os sobrinhos já haviam deixado o carro quando seu irmão foi abordado, mas confirmou que ele andava armado. “Todo policial militar tem porte de arma. Eu o aconselhei a andar, porque hoje você vê a situação que está o crime, está complicado”, afirmou. Ele só chegou ao prédio após o crime – o sargento tinha a chave do apartamento do irmão e já era conhecido no condomínio.     Além dos gêmeos, o sargento também tinha um filho de 9 anos. A mulher do bombeiro também trabalhava em São Paulo – ela iria voltar com os filhos para Santos, enquanto o marido dormiria na casa do irmão para trabalhar nesta quarta. Segundo Ricardo, os filhos mais jovens têm perguntado pelo pai, e irão passar por um psicólogo já na quinta-feira (18). O corpo de bombeiro – que estava desde 1992 na corporação – deve ser velado e enterrado em Santos. O local e o horário ainda não foram definidos.

Investigações

A Polícia Civil vai usar imagens das câmeras de monitoramento do prédio e de um imóvel em frente para tentar identificar os suspeitos do crime. Segundo o delegado Alessandro Neves Baroni, que registrou o caso no 27º Distrito Policial, no Campo Belo, Zona Sul de São Paulo, o prédio que fica em frente ao local do crime também tem imagens da ação. As gravações não são de boa qualidade, mas serão enviadas para a perícia para que as imagens sejam melhoradas.

O carro no qual os criminosos estavam quando abordaram o sargento havia sido roubado cerca de dez minutos antes na mesma região. O proprietário do veículo reconheceu os dois homens detidos. “Ele contou que foi abordado por um carro com quatro indivíduos”, contou o delegado. Por isso, a polícia acredita que quatro homens participaram da ação contra o bombeiro – sendo que dois estão foragidos.

“É frequente furtos a veículos [na rua]. O meu carro mesmo já foi furtado ali. Você passa na rua, vê vidro no chão e já pensa ‘furtaram mais um carro’. Foi uma fatalidade”, afirmou o irmão do sargento morto.          

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