MENU

Jack Black: "Não sou Sean Penn, mas vou atrás de alguns prêmios"

Jack Black: "Não sou Sean Penn, mas vou atrás de alguns prêmios"

Atualizado: Segunda-feira, 17 Janeiro de 2011 as 11:32

Simpática, porém sem graça, esta adaptação de As Viagens de Gulliver, clássico da literatura do século 18, para os tempos atuais. O comediante Jack Black assume o papel principal, Lemuel Gulliver, um cara simpático, mas encalhado há dez anos no departamento de correspondências de uma grande editora em Nova York. Ele nutre uma paixão secreta por uma editora de turismo, Darcy Silverman (Amanda Peet). Para impressionar a moça, ele copia um artigo da internet e tenta uma vaga como repórter de turismo. A mentira cola e ele viaja para as Bermudas com a pauta de descobrir o mistério do triângulo. Uma tempestade muda os rumos da viagem e acorda cercado por pessoas minúsculas na ilha de Liliput. De prisioneiro, Gulliver vira conselheiro do rei e herói, ao tentar salvar o reino de uma invasão – mas as coisas saem erradas. Basicamente é Jack Black fazendo Jack Black, com algumas (poucas) piadas, e trucagem visual sem grandes pretensões e em 3D – efeito totalmente dispensável, já que não faz a mínima diferença. Uma bobagem, digamos, gigante.

(Gulliver's Travels, EUA, 2010, comédia/fantasia, 93 min.). De Rob Letterman, com Jack Black, Jason Segel, Emily Blunt, Amanda Peel e Billy Connolly. Estreia sexta (14/1).

Leia a entrevista com o ator Jack Black:

Como foi sua experiência em filmar esse clássico da literatura, que já teve outras versões?

Eu não tinha lido o livro antes de ter contato com esse projeto. Conhecia apenas o básico da história, o que tinha visto em desenho animado. Mas quando me ofereceram o papel aceitei imediatamente. Daí li o livro e fiquei supreso. Há muitos temas adultos ali. Fala sobre ser outsider numa sociedade, aceitação. Há um fino toque de sátira política, economia, sociedade. Temos intensos que dificilmente seriam compreendidos por uma criança. E um senso de humor bem picante, que chega ao escatológico.

Você não leu Gulliver quando era garoto. O que lia, então?

Ficção científica. Li todos os livros de Ray Bradburry. Mas até hoje há algumas obras que não consigo ler. Por exemplo Uma Breve História do Tempo, de Stephen Hawking. Já tentei ler umas 15 vezes e não passo da primeira página. Daí comprei o áudio-book e ficava voltando o tempo todo, não conseguia acompanhar. Tentei ver o filme e dormi (risos). Desisti!

Há uma mensagem no filme?

Sim, mas nem tanto no livro. Basicamente é: você não tem de ser grande para ser grande. Daí aponto para meu coração (risos). Entenda: Gulliver é um cara inseguro em Nova York. Quando vai parar em Liliput, onde ninguém o conhece, ele tem a oportunidade de ser quem ele quer ser. De repente ele é o presidente do mundo, compôs todas as músicas dos Beatles, escreveu Titanic (risos).

A imagem mais icônica de Gulliver é a dele acordando em Lilliput amarrado ao chão, com os lilliputianos ao redor. Como foi filmar isso?

Foi uma cena longa, três dias para filmar. Eu deitava, eles colocavam todos aqueles barbantes em mim, daí eu tinha de acordar e descobrir onde estava, arrancar as cordinhas e gritar, isso em vários ângulos.

Você não tem medo de ficar preso a esse tipo de papel? Não tem vontade de fazer algo mais dramático?

Não me sinto preso. Apenas faço as coisas para as quais acabo direcionado. Sim, ainda há muito a ser explorado no drama, mas tenho feito outras coisas, como "The Big Year", com Steve Martin. Eu não sou o Sean Penn (risos), mas vou atrás de alguns prêmios, não se preocupe (risos).

Na cena em que você está no mar e leva tiros de canhão dos navios, o que estava atingindo você?

Nada. Era só eu, num tanque, me chacoalhando como se estivesse tomando tiros. Me inspirei muito em Al Pacino, na cena final de Scarface (risos) e um pouquinho de Willem Dafoe em Platoon. Essa foi minha pesquisa (risos).

Qual foi o lugar mais estranho que você já esteve?

(bocejo) Desculpe, não foi por causa da sua pergunta (risos). Fui dormir tarde ontem à noite. Bem, acho que quando você viaja para o extremo Oriente acaba se sentindo mesmo do outro lado do mundo. O idioma não tem nenhuma conexão com o inglês, nem as letras, nada. Toda essa civilização veio de um galho diferente da árvore. Quando vou pra França, Itália, Espanha, dá para reconhecer algumas palavras. Mas no Japão...

Mas quando você viaja, gosta de conhecer novas culturas, a comida desses locais?

Sou um bom turista quando viajo a trabalho. Se estou ali para divulgar um filme, quando sinto que tenho um objetivo profissional, aproveito o tempo livre para dar umas voltas, experimentar a culinária local, conhecer algumas pessoas. Mas se viajo a um destino apenas para relaxar, é muito difícil para mim. Não sou um bom "turista relaxado". Fico maluco, acho que estou perdendo alguma coisa na vida e quero voltar a trabalhar. Insano isso, não é?

Nas cenas de Lilliput, você interagiu com outros atores ou era tela verde na maior parte do tempo?

Não contracenava com ninguém. Mas quando eles filmavam seus diálogo, eu ficava no set, fora de cena, para ajudá-los. Já minhas cenas, era só eu numa sala verde, no estúdio. Eles não estavam lá, mas eu lembrava o que haviam dito. Foi um desafio. Às vezes parava pra pensar: "Peraí, onde estou agora? O que estou fazendo?" E acima de tudo, o desafio de fazer o melhor filme do mundo. Afinal sou eu o tempo todo na tela.

Hoje (23 de agosto) faz 43 anos que Keith Moon (baterista do The Who) afundou um carro na piscina de um hotel em seu aniversário. Você se identifica com esse tipo de atitude roqueira?

Ah, na realidade eu sou bem conservador. Agora que tenho minha família toda junta, não rola muita coisa doida e selvagem como essa na minha vida. Consigo me identificar com essa época, mas não creio que tenha tido nem metade da insanidade de Keith Moon. Ele era um homem selvagem. E meu baterista preferido, definitivamente. É o tipo de cara que você gosta de ver tocando, no placo, e até de sair junto, mas nunca com ele na direção. Eu jamais estaria num carro em que ele estivesse guiando (risos).

O que seus filhos acham que você faz da vida?

Eles ainda não tem noção dessas coisas, do que é trabalhar para se sustentar. Já os levei para o set antes. Seth, de 4 anos, o mais velho, meio que sabe que faço filmes e vozes em animações

Que tipo de filmes você leva seus filhos para ver?

Ah,coisa de criança mesmo, como Cães x Gatos Parte 2, ou algo do tipo. Mas o que eu adorei assistir com ele foi Toy Story 3. Fiquei devastado quando eles estão a caminho da morte e seguram as mãos... (imita choro).

Se você pudesse fazer parte de uma banda, qualquer uma que já existiu, qual seria? Difícil, são tantas bandas boas. Nirvana seria ótimo, mas não posso escolher essa porque Kurt Cobain acabou se matando. Na verdade, você quer ser uma dessas pessoas, mas depois vê que não seria tão bom. Tem de ter cuidado com o que deseja...

O que você acha dessa nova onde de 3D?

Tem muito ator resistente a isso, mas eu estou bem empolgado. Acho que o 3D pode mudar a "dimensão" (risos) da indústria.

Mas dizem que os atores em filmes de 3D muitas vezes não estão realmente interpretando. Foi por essa razão que nenhum dos atores de Avatar foi indicado ao Oscar. O que acha disso?

Acho que eu vou quebrar esse tabu e ganhar o Oscar por Viagens de Gulliver (risos). E é estranho assistir a si mesmo em 3D. Porque é a única oportunidade que você tem de se ver em três dimensões. O espelho só tem duas (risos). Você nunca vai saber como realmente se parece, a não ser que esteja em um filme 3D.

Por: Denerval Ferraro Jr

veja também