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Jovem que assassinou William estava na mira da PM

Jovem que assassinou William estava na mira da PM

Atualizado: Terça-feira, 8 Fevereiro de 2011 as 9:10

A Polícia Militar (PM) monitora cerca de 30 criminosos que já realizaram assaltos ou têm envolvimento com o tráfico de drogas na Região da Pampulha, em Belo Horizonte. As fotos de todos eles constam de um álbum, produzido pelo comando da 17ª Companhia, que auxilia na prisão de suspeitos. Um dos bandidos registrados é Darisson Carlos Ferraz da Silva, 18 anos, autor do tiro que matou o jogador do América William Morais, na madrugada do último domingo (6).

Segundo o major Francisco José Pereira, o álbum surgiu com a ideia de acompanhar, principalmente, a trajetória de bandidos que são presos, mas recebem o direito a responder pelos crimes em liberdade. Muitos deles também já foram condenados e cumpriram a pena. “Incluímos aqueles que já têm passagens comprovadas. As fotos facilitam as prisões no calor dos fatos. Já pegamos, principalmente, suspeitos envolvidos em assaltos”.

Para os moradores e comerciantes do Bairro Santa Terezinha, na Região da Pampulha, a presença desses criminosos não é a única ameaça à segurança. O assassinato do jogador do América, que aconteceu durante uma tentativa de assalto na Avenida Professor Clóvis Salgado, fez com que a população ficasse ainda mais atenta aos cuidados que precisam ser tomados por quem anda pela região. “Não saio mais quando está escuro. Por mais que às vezes eu veja viaturas da PM, as ruas são muito vazias, mal iluminadas e com mato demais”, explica o jardineiro Éder Gomes.

A aposentada Maria Teresinha de Oliveira, 75 anos, enfrenta o medo de ser assaltada quando vai ao supermercado. Isso porque o caminho entre a casa dela e a área comercial do bairro é repleto de lotes vagos. “É muito perigoso. Aqui tem muitos esconderijos, o mato fica alto e direto vejo marginais dentro desses lotes”.

João Batista, dono de um restaurante local, diz que a situação piora à noite, quando fica difícil ver o que acontece nas ruas. “Nosso comércio ainda não foi assaltado, mas temos casos de funcionários que saíram tarde daqui e foram roubados nas proximidades. O maior problema é que aqui é muito ermo”.

A gerente de Regulação Urbana da Regional Pampulha, Míriam Terezinha Leite Barreto, reconhece que a presença de muitos lotes vagos na região causa transtornos aos moradores, mas reforça que 11 fiscais trabalham para garantir que os donos desses terrenos sigam as normas impostas pela prefeitura. “Esses terrenos têm que estar roçados, ter passeio e fachada. Vegetação acima de 50 centímetros e sujeira já rende notificação. Se não se adequar em 15 dias, o proprietário do terreno recebe uma multa de R$ 960,87”.

Em janeiro e fevereiro, o número de reclamações dos moradores na Região da Pampulha aumenta 50%, já que no período chuvoso o mato cresce mais rápido nos lotes vagos. São registradas em média 40 denúncias por dia. “A prefeitura cobra um IPTU maior de donos de lotes vagos para incentivar as ocupações. Os moradores podem nos ajudar reclamando por meio do telefone 156”, pede Míriam.

Testemunha não esquece o som do tiro

A testemunha do assassinato do jogador William Morais, 19 anos, ficou mais de 40 horas sem dormir e ainda não consegue esquecer o som do tiro que matou o atleta. A mulher, que pediu para que não fosse identificada, conversou com o Hoje em Dia e contou detalhes sobre o momento em que ela e o meia foram abordados pelos assaltantes. O corpo do jovem foi sepultado na tarde de na segunda-feira (7), no Cemitério Santo Antônio, em Osasco, na Grande São Paulo.

Já passava de 22 horas quando a testemunha chegou à festa em um sítio, no Bairro Santa Terezinha. Ela foi se encontrar com uma amiga e acabou sendo apresentada ao jogador. “Era uma festa normal, organizada por um amigo do William. Não tinham outros atletas lá e todo mundo estava se divertindo tranquilamente”.

O meia, que atualmente estava jogando no América, teria se aproximado para conversar com Mariana. “Ele me procurou e disse que não estava bebendo, assim como eu. Então sugeriu que a gente deveria ficar tomando suco de uva e começamos a conversar”.

Por volta de 1 hora, ela conta que saiu da festa para buscar uma bolsa no carro junto com a amiga. O jogador teria ido atrás da jovem pensando que ela estaria indo embora. “Ele saiu gritando para eu não ir e respondi que já estava voltando. Mas o William decidiu me acompanhar. Minha amiga acabou voltando para a festa antes de nós dois”.

A testemunha afirma que tudo foi muito rápido. Assim que ela fechou o carro e saiu de mãos dadas com o jogador, percebeu que três homens se aproximavam e apertou a mão do atleta. “Quando ele olhou para trás, eles já foram gritando: ‘Perdeu, perdeu, irmão’. Com o susto, o William correu. Em seguida, um deles sacou a arma e atirou nas costas”.

O momento do disparo ficou gravado na memória da testemunha. O ‘clarão’ gerado pelo tiro fez com que o rosto do assaltante ficasse mais visível. “Foi um crime covarde, assim, de graça. Eles nem levaram nada. Fiquei encostada na parede e pensei ‘agora sou eu’. Mas os três nem me olharam”, desabafa a jovem.

Os suspeitos fugiram logo após o disparo. Segundo a testemunha, com o barulho do tiro, as pessoas que ainda estavam na festa correram para a rua. A polícia e uma equipe de resgate chegaram ao local menos de 10 minutos depois, mas William já estava morto.

A mulher reconheceu o autor do disparo que atingiu o jogador por meio de um álbum de fotos mostrado pela polícia. “Tenho uma boa memória fotográfica. Na hora que vi o retrato sabia que era ele. Até agora me lembro do momento do tiro”. Policiais militares encontraram os três jovens que teriam participado da tentativa de assalto. Um deles assumiu ter feito o disparo.

William jogou em 2010 no Corinthians e foi emprestado no início deste ano ao América. Os jogadores Ralf, Dentinho, Bruno César, Jorge Henrique, Alessandro e Chicão foram alguns dos ex-colegas da vítima que acompanharam o velório. O presidente do clube paulista, Andrés Sanchez, prometeu dar toda a assistência aos pais do meia.    

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