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Jovem segue desaparecido 5 anos após confrontos entre polícia e facção

Jovem segue desaparecido 5 anos após confrontos entre polícia e facção

Atualizado: Segunda-feira, 16 Maio de 2011 as 1:19

Há cinco anos, os pais Francisco Gomes e Maria das Graças Gomes foram condenados a conviver com a aflição da dúvida. Seu filho Paulo Alexandre Gomes está desaparecido desde 16 de maio de 2006, período em que São Paulo viveu a maior onda de violência de sua história.

Aos 23 anos, o jovem saiu de casa para visitar a namorada e não voltou. O sumiço ocorreu pelas ruas de Itaquera, Zona Leste de São Paulo, na noite daquela terça-feira. A família de Paulinho acredita que seu desaparecimento esteja relacionado com os confrontos entre a polícia e uma facção criminosa.

"Paulinho estava em liberdade condicional havia cerca de um ano, depois de ficar preso por algumas infrações. Ele mesmo já tinha dito que, por causa dos ataques, era mais seguro ficar em casa, porque estavam matando pessoas que já tinham alguma passagem pela polícia, por considerar que elas necessariamente tinham ligação com a facção criminosa", diz ao G1 a irmã de Paulo, Francilene Gomes Fernandes, 31 anos, hoje assistente social.

  Naquela noite, no entanto, depois de ouvir relatos de que a situação nas ruas estava mais tranquila, Paulo decidiu sair de casa. Ele foi visto pela última vez em uma rua perto de onde morava, antes mesmo de visitar a namorada. "Não sabemos o que aconteceu. Acredito que há poucas chances de ele estar vivo porque ele entraria em contato, mas nunca encontramos o corpo. Há vizinhos que dizem que ele foi abordado pela polícia, mas não há como saber se ele foi morto e quem o matou, se foi a polícia, a facção criminosa ou ainda se outra coisa aconteceu", afirma o pai de Paulo, Francisco Gomes.

Durante cerca de três anos, a família de Paulinho visitou o Instituto Médico Legal (IML) semanalmente à procura do corpo do jovem. Nenhum registro foi encontrado até hoje. "Quando passo pelo Centro da cidade e vejo aquelas pessoas morando nas ruas sempre olho com calma, para ver se encontro o Paulo. Penso que ele pode, de repente, ter batido a cabeça, perdido a memória, e estar ali", diz o pai.

A mãe, emocionada, conta que Paulo estava muito feliz no dia em que foi visto pela última vez. "Ele estava alegre, sorridente, procurando um emprego. Mas naquela manhã eu estava limpando a gaiola no quintal e um dos pássaros que tínhamos fugiu. Eu tentei pegá-lo, não consegui e minha neta disse 'ele não volta mais avó'. Parecia que ela estava falando do meu filho", lembra Maria das Graças, com os olhos cheios de lágrimas.

  Do dia 12 ao dia 21 de maio, segundo relatório da Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo, 493 pessoas morreram vítimas de crimes violentos no estado. Dessas, de acordo com estudo divulgado na semana passada, pelo menos 261 tiveram relação com ações de uma facção criminosa.

Os ataques do crime organizado em São Paulo completam cinco anos. Desde quinta-feira (12), o G1 publica uma série de reportagens sobre os nove dias que marcaram a história de São Paulo.

  Além de Paulinho, outros três jovens permanecem desaparecidos desde aquela semana. Dois deles sumiram em Guarulhos e um deles, em Parelheiros. "Há características semelhantes entre eles. Todos são negros ou pardos, tinham alguma tatuagem e já tinham alguma passagem pela polícia", diz Francilene.

Apesar de evidências e testemunhas anônimas do que pode ter acontecido com Paulo, o caso permanece sem solução. O inquérito , segundo a família, foi arquivado.        

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