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Juiz autoriza participação de menor em acareação no caso Eliza

Juiz autoriza participação de menor em acareação no caso Eliza

Atualizado: Terça-feira, 27 Julho de 2010 as 9

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) informou, na noite desta segunda-feira (26), que o juiz Elias Charbil, do Juizado da Infância e da Juventude de Contagem (MG), autorizou a participação do menor detido na casa do goleiro Bruno de Souza em acareação com os presos suspeitos de envolvimento no desaparecimento e suposto homicídio de Eliza Samudio.

Segundo a assessoria de imprensa do TJMG, essa decisão responde a uma solicitação da Polícia Civil. A acareação pode ser realizada com todos os suspeitos detidos, mesmo aqueles que não falaram nos depoimentos. O menor deve estar acompanhado do advogado e de um responsável (pai ou mãe). A data e o local devem ser definidos pelos delegados que participam do inquérito. O advogado do menor, Eliézer Jônatas de Almeida Lima, disse ao G1 que ainda não foi oficialmente informado. Mas pretende entrar com pedido de habeas corpus preventivo, para que o adolescente não participe da acareação. "Sou contra. Ele [menor] está extremamente desgastado", afirmou.

O adolescente permanece provisoriamente em um centro de internação, em Belo Horizonte.

Defesa

Nesta tarde, Lima entregou a defesa de seu cliente à Justiça. O adolescente participou de uma audiência na semana passada e, em seguida, o promotor Leonardo Barreto Moreira Alves pediu a internação dele. Segundo Lima, o promotor alegou envolvimento em atos infracionais análogos a sequestro, cárcere privado e homicídio.

Na sexta-feira (16), o Ministério Público Estadual havia afirmado que o promotor indicou a internação por atos infracionais análogos a sequestro e homicídio com dolo eventual (pois ele não teria impedido o assassinato).

Lima diz que seu cliente foi chamado por Luiz Henrique Ferreira Romão, amigo de Bruno conhecido como Macarrão, apenas para "dar um susto" em Eliza, e não sabia que se tratava de um sequestro. O advogado também argumenta que, se a jovem tivesse sido mantida em cárcere privado no sítio do goleiro, em Esmeraldas (MG), ela tentaria chamar a atenção das pessoas que passaram pelo local para pedir ajuda.

Por último, Lima afirma que, como não foram encontrados vestígios do corpo de Eliza, não é possível provar que houve um homicídio. "Não há prova material, nem mesmo indireta, que indique que ela foi morta", comenta.

O menor foi detido na casa de Bruno, no Rio, em 6 de julho. No primeiro depoimento, à polícia fluminense, ele disse que Eliza foi morta por asfixia e uma de suas mãos foi jogada para cães. Em outros relatos oficiais, o adolescente mudou detalhes da história. "Ele já prestou seis depoimentos e foi muito pressionado", diz Lima.

Entenda o caso

Nascida em Foz do Iguaçu (PR), Eliza Samudio se mudou para São Paulo e posteriormente para o Rio. Em 2009, teve um relacionamento com o goleiro Bruno, engravidou e afirmou que o pai de seu filho é o atleta. O bebê nasceu no início de 2010 e, agora, está com a mãe da jovem, em Mato Grosso do Sul.

A polícia mineira começou a investigar o sumiço de Eliza em 24 de junho, depois de receber denúncias de que uma mulher foi agredida e morta perto do sítio de Bruno. Os delegados já consideram Eliza morta.

Oito pessoas estão presas na Região Metropolitana de Belo Horizonte, por suspeita de envolvimento no desaparecimento da jovem, incluindo Bruno e Macarrão. Todos negam o crime.

*(Com informações do G1, em São Paulo)

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